terça-feira, 13 de outubro de 2009

Ferrer i Guàrdia


O criador da Escola Moderna, fundamentada em ideais libertários, nasceu a 14 de janeiro de 1859, em Alella, na Catalunha. Na adolescência começa a contestar o regime monárquico e o poder da igreja sobre o Estado e os cidadãos. Através da sua ligação com os republicanos, participa em tentativas para derrubar do poder a monarquia e que visavam a instauração da república em Espanha. Devido à sua atividade política e social, foi exilado em Paris, em 1886, onde conheceu o ideal libertário preconizado pelos anarquistas e identifica-se com Paul Robin, o teórico da Pedagogia Integral e fundador do Orfanato de Cempuis na cidade de Paris.
No seu livro La Escuela Moderna, Ferrer definia assim o objetivo da Escola Moderna: “Extirpar do cérebro dos homens tudo o que os divide, substituindo-os pela fraternidade e a solidariedade indispensáveis para a liberdade e o bem-estar gerais para todos.”
O ensino ministrado seguia as seguintes orientações: o aluno é livre, livre inclusive de deixar a escola. O aluno goza de uma ampla liberdade de movimentos: vai ou não ao quadro, consulta ou não este ou aquele livro, entrega-se às suas fantasias quando isso lhe agrada, e até pode sair da sala de aula quando tem vontade de o fazer. Não havia exames, nem muito menos castigos e recompensas.
Em 1905 a Escola Moderna espalha-se por 147 espaços por toda a Catalunha. Em 1908 contam-se mil alunos só na cidade de Barcelona, e criam-se centros de ensino do mesmo gênero em Madri, Sevilha, Málaga, Granada, Cádiz, Córdoba, Palma, Valência, assim como noutros países (em São Paulo, Lausanne, Amsterdam e Lisboa).
Em 1908 fundou a “Liga Internacional para a educação racional da infância” conta com apoiantes de peso como Languevin, Bernard Shaw, Berthelot e Gorki.
Foi executado no dia 13 de outubro de 1909 pelo Conselho de Guerra a partir de uma acusação genérica, sem provas concretas, acusado de ser o líder intelectual da Semana Trágica.

3 comentários:

Educacao disse...

Os alunos poderiam tudo...

Mas e contrapartida. O pensador chegou a apontar sobre isso?

Se não, o professor pode nos fornecer, baseado no vasto conhecimento sobre a história da educação, uma prévia sobre qual seria?

Rudá Ricci disse...

Era um educador, digamos, anarquista. Também não concordo com um estilo espontaneísta de educação. Mas ele abriu uma linhagem da qual alguns autores afirmam que John Dewey e Paulo Freire fizeram parte. Tenho minhas dúvidas, mas acho importante divulgar esses pensadores pouco conhecidos no Brasil.

Educacao disse...

Professor, quanto a iniciativa, sem reparo.

Ventilei sobre a questão de não termos nada que possa servir de contenção quanto aos abusos que tem ocorrido por parte dos educandos. Pois, falemos honestamente, nós professores estamos alijados de qualquer autoridade, e somos a cada dia mais, obrigados a trabalhar com educandos que estão na escola devido à imposição do legislador.

A bem da verdade, eu não penso em outro lugar que não a escola para esses alunos estarem. Longe de mim! Mas o que tem ocorrido no âmbito da escola com relação a isso, é um absurdo.

Mais uma vez agradeço a oportunidade do diálogo, e me desculpo antecipadamente se desviei o assunto para algum lugar que não o que o professor pensava.

Guilherme Souto.