sábado, 27 de fevereiro de 2010

O círculo vicioso das ongs brasileiras

Estou concluindo consultoria à uma ong paulista, de muita importância na área social. O que me dá mais elementos para consolidar um diagnóstico que venho fazendo desde o ano passado e que socializo aqui para provocar o debate entre os internautas:
a) A queda de financiamento externo das ongs brasileiras, ao longo dos anos 90 e início deste século, deslocou a fonte de recursos para o Estado brasileiro (da comunidade solidária aos convênios com governos municipais, estaduais e ministérios);
b) Este deslocamento transformou grande parte das ongs menores (a grande maioria) em agências de terceirização de serviços sociais e assistenciais. Despolitizou as ongs. Os salários e custos operacionais das ongs são baixíssimos, muito abaixo do mercado (para aquelas que entraram neste circuito);
c) Criou-se, assim, um curto-circuito organizacional: as diretorias de ongs viraram ficção e quem manda efetivamente são os gerentes de projeto. Isto porque a maioria dos convênios possui rubrica fechada, sobrando muito pouco recurso para pagamento de outras atividades não relacionadas diretamente com a execução dos projetos conveniados. Sem outras fontes de recursos, as ongs tornaram-se extensões de secretarias. Sem bônus, só ônus.

Um comentário:

Álbano Silveira Machado disse...

Rudá,
Concordo com suas conclusões.
Poucas ONGs conseguem fazer planejamento estratégio pois dependem do financiamento público. O Estado brasileiro atua em curto prazo, no varejo, ou , com algumas excessões, em médio prazo.
Enfim, as ONGs só são "não-governamentais" formalmente.