sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

A formação de um mito?

Entre Aspas sobre Herança de Lula


Para acessar, clique AQUI

Microconto (2)

Fez árvores, plantou livros, escreveu filhos. Morreu de cirrose hepática.

Microconto

Amo até o jeito que ela enche de açúcar o meu café e mexe docemente a colherzinha. E olha que eu sou diabético.

Elogios para o Entre Aspas de final de ano


Foi ao ar, ontem, o Entre Aspas em que debati com Bolivar Lamounier a herança Lula. Já recebi, neste início de dia, alguns emails comentando positivamente o programa. Acho que fecho o ano acertando uma!

O ano em que a grande imprensa brasileira se assustou


Não é bem contra Lula que a grande imprensa brasileira se voltou para atacar. É contra seu futuro. A grande imprensa brasileira se comporta como aquelas senhoras idosas que procuram driblar o tempo com operações plásticas que as transformam em algo que se distancia da humanidade. A maquiagem de formato e tamanho de textos não resistiu ao ano da eleição presidencial. A linha editorial, aquela que revela a alma e a idade mental, caducou. O equilibrismo entre a notícia e a opinião é o centro do profissionalismo de um editor. Mas em 2010, o pêndulo ficou evidentemente com a opinião. Editar fotos e manchetes por este prisma foi o momento mais triste e anti-profissional da imprensa brasileira. Não tenho certeza se esta lição vai gerar mudanças, tímidas que sejam. Mas me parece questão de tempo que o bumerangue que tirou Cláudio Abramo das editorias vai retornar sobre a cabeça de seu algoz.
Feliz 2011 para os leitores de jornais!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A importância de FHC e a oposição de um nome só


Acabo de ser entrevistado por Marcelo Coelho, do Estado de Minas. A sua última pergunta instigou esta nota no blog. Perguntava a importância política de FHC e o que fica de seus oito anos de governo. A grande imprensa brasileira perdeu muito de sua objetividade nos últimos anos. Como se mede o poder de um político? Pelo número de governos que influencia, estaduais e municipais, com certeza. FHC não influencia nenhum governo. Alckmin escanteou de sua gestão todos serristas e seguidores de FHC (que não fazem parte da mesma tribo, inclusive). Mas um político pode ter influência sobre entidades de representação. FHC não tem influência sobre sindicatos, entidades de classe, conselhos, federações. Mas também é possível manter poder pela influência material, de suporte de campanhas. Não se sabe de um único caso de estrutura de campanha vinculada a ele, como ainda pouco ocorria em relação a Maluf ou ACM, para citar dois casos. Poder, nos ensinava Weber, se vincula aos recursos materiais ou simbólicos. FHC tem penetração na grande imprensa. Suas falas tem alguma repercussão por ali. Mas a grande imprensa não forma mais opinião de massa. Influencia parte da classe média tradicional. Mas a opinião desta classe não se espraia mais como antes. Fica congelada em suas fileiras e, não raro, acaba submergindo aos anseios da nova Classe C. Minha hipótese é que FHC fala aos pares. Aos que já o admiram. O que não faz deste personagem alguém que possui hegemonia. Penso que é hoje um cavaleiro de triste figura da oposição.
Oposição no Brasil tem um único nome: Aécio Neves. Jovem, hábil, vive um momento mais difícil em virtude de ter que arquitetar a construção de sua estrutura política nacional (enfrentando, no momento, um jogo de bloqueios com os lulistas). Mas é líder no seu Estado, o segundo colégio eleitoral do país. Se tivesse sido candidato, mesmo derrotado sairia unindo as oposições, algo que Serra nem de longe conseguiu. Aliás, Serra conseguiu exatamente o contrário. E Aécio tem em Alckmin um aliado. Em Ciro Gomes uma ponta de lança no nordeste. Tenta se aproximar de Eduardo Campos e Sérgio Cabral, mas Lula intercepta as tentativas de aproximação. Aproxima-se lentamente do PSB e PDT. Tentará comer pelas bordas, aproximando-se do PCdoB. Somente Aécio poderá aproveitar-se de alguma fissura no Presidencialismo de Coalizão do lulismo.
Fora este quadro, não existe vida longa na oposição. Neste sentido, citar FHC é até deselegância para com o passado de um ex-Presidente da República. Sua foto já está na galeria da República. E só.

A pulverização da verba publicitária do governo federal


Acabaram de colocar o ovo em pé. A Folha publicou a pulverização das verbas públicas em campanhas publicitárias do governo federal. São 8.094 veículos contemplados. De 2003 até hoje houve um aumento de 1.522% no número de órgãos de imprensa que recebem recursos federais como receita publicitária. Eram 499 em 2003 e somam hoje 8.094. Os dois governos Lula investiram, em média, R$ 2,3 bilhões por ano em publicidade.
Eugenio Bucci analisou os dados e sustenta que R$ 2,3 bilhões correspondem a quase um terço do que a Rede Globo faturou com publicidade ao longo de 2009.
O problema é maior do que parece ao bem intencionado Bucci. Todos os governos estaduais e vários municipais praticam o mesmo expediente. Em MG, muito se falou sobre jornalistas do interior contratados por governos e parlamentos. Também se falou sobre verbas que salvaram grandes jornais da falência. Mereceria algum levantamento similar ao feito pela Folha. Que fique claro: não há nenhum atenuante à crítica de uso de dinheiro público, do contribuinte, para criar uma imagem pública favorável. Mas o problema é generalizado neste país gigantesco com veículos de comunicação pulverizados e quase nunca autosuficientes.
Vale a pena um estudo a respeito.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O que sobrou para a oposição à Lula

Triste sina a do DEM. O que resta neste fechar de cortina do governo Lula é contestar - no MP - a mudança do nome da reserva de petróleo Tupi para Lula. A mudança de nome é uma bobagem. Mas será que não há algo mais sério para o DEM contestar? E estaria tão raquítica que precisa encaminhar a contestação ao Ministério Público (já abarrotado de trabalho sério)? Ou seria um mero ato de marketing político?
É uma notícia tão melancólica que a UOL divulgou o caso desta maneira:
Coube ao deputado Ronaldo Caiado (GO), vice-líder do DEM na Câmara, anunciar a reação da legenda, hoje dividida entre oposicionistas convictos e envergonhados.

Viajo amanhã para São Paulo

Amanhã, no final da manhã, já estarei em São Paulo. Tupã, agora, só em 2011. À tarde começo a postar notas neste blog.

A raiva da comunidade italiana em relação ao asilo à Cesare Battisti


Abaixo, reproduzo um artigo que está rondando as listas de discussão na internet que envolvem italianos que residem fora de seu país de origem (além de descendentes) a respeito do asilo político que o governo brasileiro concedeu a Cesare Battisti. O artigo denomina Cesare de "assassino italiano" e diz que ganhará "férias em Cobacana para o resto de seus dias". Não concordo com uma linha deste artigo. Se pensar bem, nem com uma sílaba. Talvez concorde com alguma letra, mas tenho que refletir melhor. Na verdade, concordo com a passagem que afirma que a Itália não tem uma política para os italianos que residem no exterior.
Mesmo assim, reproduzo para que se tenha uma idéia de como este tema é explosivo entre italianos. Como ex-filiado ao Democratici di Sinistra (que se fundiu e virou PD, para minha tristeza), fico aqui preocupado com o clima beligerante que acomete minha Itália.
Vamos ao artigo publicado no blog de Max Bono:

Battisti, l'ultima beffa ai danni degli italiani all' estero

Siamo tutti li' a fare la conta al rovescio per il capodanno con lo spumante in mano. Meno 5, meno 4 , meno 3 meno 2 meno 1 e stop: Lula concede asilo politico a Cesare Battisti, condannato per pluriomicidio in Italia. Colpo di scena all' ultimo secondo l'assassino italiano guadagna le vacanze a Copacabana per il resto dei suoi giorni. Il chicken game è finito. Il banco vince. Ve l'aspettavate? Si? No? Forse? La querelle del caso Battisti è stata talmente discussa, ridiscussa, affrontata da tutte le angolature che francamente gli italo-brasiliani sono in attesa della fine. Altra cosa è il lieto fine pero'. Quello non ci sara' probabilmente. Cosa si puo' apprendere da questa storia? Che l'Italia ancora una volta ha perso una occasione per valorizzare il suo popolo oltre frontiera, quello degli italiani all'estero.
I 30 milioni di italiani oriundi che fanno del Brasile il paese piu' italiano al mondo fuori dei confini nazionali sono dimenticati, guardati con indifferenza per non dire con distacco. L'Italia ignora i suoi figli. Non vuol sapere di loro. La disapora italiana, la maggiore della storia dell'umanità è ignorata dalla Patria.
Nessuna sorpresa che poi l'Italia non è in grado di influenzare minimamente la politica del Brasile nemmeno nel farsi ridare il pluriomicida condannato in Italia. Umiliata da un paese che annovera tra i suoi massimi dirigenti molti con il nome italiano. Ma solo il nome è italiano. Il resto è brasiliano. Perchè? Perchè l' Italia non ha una politica verso gli italiani all' estero. Meno ne sente parlare meglio è. Quando un businessman italiano viaggia all' estero l'ultima cosa che fa è consultare un italiano nel paese dove si reca. Al contrario degli inglesi o americani o francesi. L'Italia e gli italiani in Italia non sanno valorizzare il loro patrimonio all'estero. Al contrario sono completamente ignoranti a riguardo e non lo conoscono. Risultato: una politica estera altalenante, senza direzioni, senza scopi. Una politica estera da bocciare in toto. E questo non perchè la destra è al potere. La sinistra faceva la stessa cosa. La cosa paradossale è che quando si tratta di italiani all' estero le differenze tra i blocchi politici italiani scompaiono. La politica è la stessa. Ignorare gli italiani all' estero. Di tanto in tanto si sviluppano alcuni programmi a favore di istituzioni italiane che colla scusa di aiutare gli italiani all' estero ricevono soldi dallo stato e se ne beneficiano. Senza ricadute concrete sugli italiani all' estero. I consolati sono tagliati selvaggiamente nei programmi ministeriali. I corsi di lingua diventano sempre meno. L'editoria italiana all' estero ha tagli sempre piu'grossolani ed è terra di conquista per alcuni gruppi editoriali che ricevono la maggior parte dei benefici. Essere italiano all' estero significa essere nelle mani di Dio, specie se si è detenuto all' estero. L'enorme potenziale economico-finanziario della comunità italaina oriunda nel mondo è dilapidato in maniera grossolana dai nostri politici che quando le visitano le trattano come fenomeni di barracone. Gli eletti all' estero, con qualche eccezione, sono talmente censurabili che alcuni sono anche finiti in galera per collusione con mafia e ndrangheta. E alla fine l'ironia della sorte: la comunità italo-brasiliana è addirittura accusata di non appoggiare la richiesta di estradizione di Battisti. E' proprio vera la famosa frase di Toto' a riguardo. Guardando in faccia la nostra classe politica verrebbe da dire: ma fatemi il piacere.

A crise do PT mineiro


Vou dar minha contribuição para o debate a respeito da crise do PT de Minas Gerais, talvez a mais grave de toda sua existência.

1) A disputa entre Fernando Pimentel e Patrus Ananias dividiu o partido e bloqueou a emergência de novas lideranças. O partido está esclerosado, sem espaço para representação a partir das diversas regiões do Estado;
2) A disputa criou um falso dilema entre os dois estilos: o pragmático e o comunitarista. Assim, esvaziou a capacidade de formulação do partido em MG. O partido, hoje, mais reage ou faz somatória de problemas/reivindicações sociais;
3) Não há organicidade da militância. O partido gira ao redor de parlamentares. E os parlamentares adotaram lógica de feudo, esquadrinhando todo o Estado em áreas de reserva eleitoral;
4) Esta lógica acabou por polarizar e interferir nas disputas internas do movimento sindical. Lembremos que é o sindicalismo de funcionalismo público que mais cresce e se fortalece no país. As disputas entre chapas para conquista da direção desses sindicatos estão diretamente associadas às disputas no interior do partido.

Enfim, o método político é o mais equivocado possível. E nenhum petista chama para si a responsabilidade de alterar tal lógica.

Boa expectativa sobre governo Dilma


A pesquisa Sensus/CNT divulgada hoje revela que quase 70% dos brasileiros (69,2%) acreditam que Dilma Rousseff fará ótimo ou bom governo. Para 17,6% a presidente deve ter um desempenho regular, e para 6,4% Dilma fará um governo péssimo ou ruim. Outros 7% dos entrevistados não souberam responder. A pesquisa CNT/Sensus também aponta que para 43,7% do eleitorado o Brasil vai se desenvolver muito nos próximos quatro anos, quando 39,8% acham que o país vai se desenvolver apenas um pouco. Para 7,5% o país ficará estagnado, e 9,2% não souberam responder.
O otimismo parece fixado, principalmente em período de férias, 13o salário no bolso (ou no crédito), sentimento de saudades de Lula. Contudo, o freio de mão será puxado nos gastos públicos. Dilma terá que equacionar esta lógica. E, talvez, acionar o padrinho.

E Lula virou nome de reserva de petróleo


A área de Tupi teve sua comercialidade declarada nesta quarta-feira pela Petrobras e os sócios Galp e BG. O novo campo será denominado Lula, e tem reservas estimadas em 6,5 bilhões de barris de petróleo e gás recuperáveis. Tupi era o nome provisório da área descoberta. Após a declaração de comercialidade, os campos recebem nomes de espécies da fauna marinha.
Esta decisão é um excesso. Perigoso. E desnecessário. Mudar nome de rua ou reserva de petróleo não muda em nada a avaliação do governo. Está no campo da memória, do marketing político. Ou da bajulação descarada.

Lula bate outro recorde


Do Estadão:
Às vésperas de deixar o governo, Lula bate recorde: 87% aprovam seu desempenho, segundo CNT/Sensus

Observações sobre secretariado de Anastasia

O novo secretariado apresenta três mulheres de personalidade muito forte: a ex-ministra Dorothea Werneck, a irmã de Aécio, Andrea Neves e a nova Secretária de Educação, Ana Lucia Gazolla, que estaria na cota do prefeito Márcio Lacerda (cada vez mais distante do PT).
A jornalista Denise Motta destaca que "mesmo com o Helécio, PR emplacou Bilac Pinto e José Santana".

O secretariado de Anastasia

Lista dos novos secretários de Estado de Minas Gerais

Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Elmiro Nascimento
Casa Civil e Relações Institucionais – Maria Coeli Simões
Ciência, Tecnologia e Ensino Superior – Nárcio Rodrigues
Cultura – Eliane Parreiras
Defesa Social – Lafayete Andrada
Desenvolvimento dos Vales do Jequitinhonha, Mucuri e Norte – Gil Pereira
Desenvolvimento Econômico – Dorothea Werneck
Desenvolvimento Regional e Política Urbana – Bilac Pinto
Desenvolvimento Social – Wander Borges
Educação – Ana Lúcia Gazolla
Esportes e da Juventude – Bráulio Braz
Fazenda – Leonardo Colombini
Governo – Danilo de Castro
Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – Adriano Magalhães
Planejamento e Gestão – Renata Vilhena
Saúde – Antônio Jorge Souza Marques
Trabalho e Emprego – Carlos Pimenta
Transportes e Obras Públicas – Carlos Melles
Turismo – Agostinho Patrus Filho

Extraordinários
Secretário Extraordinário da Copa do Mundo – Sérgio Barroso
Secretário Extraordinário de Gestão Metropolitana – Alexandre Silveira
Secretário Extraordinário de Regularização Fundiária – Manoel Costa

Outras nomeações
Cemig – Djalma Morais
Copasa – Ricardo Simões
Codemig – Osvaldo Borges
BDMG – Matheus Cotta Carvalho
Gasmig – Fuad Noman
Servas – Andrea Neves
Secretaria Geral – Gustavo Magalhães
Advocacia Geral do Estado – Marco Antônio Romanelli
Controladoria Geral do Estado – Moacyr Lobato
Gabinete Militar do Governador – Cel. Luiz Carlos Martins
Polícia Militar de Minas Gerais – Cel. Renato Viera de Souza
Polícia Civil – Jairo Léllis
Corpo de Bombeiros – Cel. Sílvio Antonio de Oliveira Melo
Escritório de Prioridades Estratégicas – Tadeu Barreto

Observações:
1) Foram criadas as secretarias de Estado de Trabalho e Emprego, comandada por Carlos Pimenta, e a da Casa Civil e Relações Institucionais, que terá à frente Maria Coeli Simões, que respondia pela extinta Secretaria Extraordinária de Relações Institucionais;
2) A Secretaria de Desenvolvimento dos Vales do Jequitinhonha, Mucuri e Norte de Minas deixa de ser “extraordinária” e se torna efetiva, tendo Gil Pereira à sua frente;
3) Ana Lúcia Gazzola deixará a Secretaria de Desenvolvimento Social e assumirá a Secretaria de Educação. Excelente notícia para Minas Gerais;
4) Andrea Neves continua em Servas.

Ainda à procura de notícias sobre Talca, Chile

Desde o terremoto que atingiu Talca e a região do Maule, no Chile, venho tentando contatar o prefeito de lá, Patrício Blanco e o secretário de assuntos comunitários, Patrício Uribe, sem sucesso. Tentava achar uma maneira de ajudá-los. Conheço os dois desde quando fui até Talca para participar de um evento sobre democracia na América Latina.
Agora, o blog recebe a mensagem que reproduzirei abaixo, de uma filha à procura de seu pai. Reforço o pedido para os visitantes do blog: quem puder, que faça este contato direto com alguém de Talca. Agradeço.

tercilia deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Contato com Talca, Chile":
oi tenho familia en talca meu pai se chama luiz osvaldo gonzalez montecinos, não tenho como me comunicar com ele preciso localiza-lo. meu endereço de e-mail é (tercilya_lok@hotmail.com)
Postado por tercilia no blog em 29 de dezembro de 2010 14:54

Alckmin mostra os dentes


Converso ligeiramente, pelo twitter, com Gaudêncio Torquato. Ele parece surpreso com as ações de Alckmin, escanteando José Aníbal e o PMDB paulista de seu governo. Sugere que Alckmin começa a reduzir os espaços de Kassab, que ingressará brevemente no partido que foi de Quércia. Quanto ao José Aníbal, trata-se de um troco político. Ele tentou recompor o PSDB paulista e propôs fusão com PPS.
Alckmin revela que pode ser tudo, menos picolé de chuchu.

A poesia que fez Lula chorar

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Ordos, o futuro da China


Li no Estadão de hoje que a China construiu uma cidade, localizada no norte do país, detentora de enormes reservas de carvão e gás natural. Contudo, esta cidade possui uma segunda versão, ao sul da original. Pesquisei na internet. O The New York Times informa que esta segunda versão é futurista e encontra-se praticamente deserta. Não entendi se o futurismo inclui o baixo índice populacional. De qualquer maneira, as construtoras esperavam fazer com que Ordos se tornasse uma versão chinesa de Dubai. Chegaram a investir mais de um bilhão de dólares no projeto, mas prédios de escritórios estão vazios. Os pedestres são raros. E o mato está começando a brotar em condomínios fechados com casas de luxo destituídas de moradores. Alguns analistas exemplificam este projeto para ilustrar o que denominam de bolha imobiliária especulativa. SA cidade foi projetada para que tivesse, hoje, 300 mil habitantes. E o governo afirma que 28 mil pessoas moram na nova área. Mas, durante uma visita recente, um repórter que circulou de carro pela região durante horas, acompanhado de dois corretores de imóveis, só pôde ver pouquíssimos moradores nos conjuntos habitacionais. Estima-se que haja até doze cidades chinesas como Ordos, com subúrbios fantasmas anexos. Na cidade de Kunming, no sul do país, por exemplo, uma área de 104 quilômetros quadrados chamada Chenggong está gerando preocupações devido às suas estradas desertas, condomínios e prédios governamentais vazios. E, em Tianjin, no nordeste da China, o governo municipal investiu pesadamente num luxuoso distrito dotado de campos de golfe, fontes de água quente e milhares de casas que ainda se encontram vazias cinco anos após terem sido construídas.
Fico imaginando o padrão deste novo império mundial. E se será seguido na segunda metade deste século.

FNDCA DIVULGA CARTA ABERTA À PRESIDENTE DILMA ROUSSEFF

FNDCA DIVULGA CARTA ABERTA À PRESIDENTE DILMA ROUSSEFF
O Fórum Nacional DCA divulgou nesta terça-feira (28/12) uma Carta Aberta à presidente Dilma Rousseff. No documento, o FNDCA chama a atenção da nova presidente sobre a necessidade do respeito ao princípio constitucional da “prioridade absoluta” aos direitos da criança e do adolescente. Clique aqui e acesse a íntegra da Carta Aberta.
No texto, o FNDCA relembra um discurso do escritor José Saramago ao receber o prêmio Nobel, no qual ele destaca que nos últimos 50 anos os governos foram incapazes de fazer tudo que era necessário pelos direitos humanos. A Carta apresenta ainda um histórico recente dos direitos da criança e do adolescente a partir da Constituição Cidadã de 1988. E explicita a precariedade de funcionamento dos Conselhos dos Direitos, especialmente do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA). O documento de 34 páginas também destaca as recomendações do Comitê Internacional dos Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas (ONU) e o atraso na entrega dos relatórios brasileiros referentes à implementação da Convenção Internacional dos Direitos da Criança (CDC). O Fórum cobra da nova presidente o fortalecimento dos Conselhos dos Direitos e Tutelares por meio inclusive de uma mudança na Constituição e da aprovação da projeto de lei específico. “A necessidade de fortalecimento dos Conselhos Tutelares e dos Conselhos dos Direitos da Criança e do Adolescente vem sendo apontada desde a primeira conferência dos direitos da criança e do adolescente, realizada em 1995, até a última, realizada em 2009, e encontra-se contemplada nas diretrizes 3 e 6 da redação do Plano Decenal que foi levada a Consulta Pública. As propostas de emenda à Constituição Federal e de projeto de lei favorecem, também, praticamente todas as diretrizes e alguns objetivos estratégicos da redação do Plano Decenal”, destaca o documento. Por fim, o Fórum pede pressa no acatamento das sugestões. “Por isso, há necessidade de já, no início do Governo de Vossa Excelência, se se cogita a edição de medida provisória em 1º de janeiro de 2011 para dispor sobre a organização da Presidência da República e dos Ministérios, como sempre se fez em todo início de novo Governo federal, contemplar algumas de nossas sugestões.”
A Carta já está postada no site do FNDCA. Vejam no link:
http://www.forumdca.org.br/arquivos/documentos/CartaAbertaFNDCA_presidenteDilma.pdf

Sereno da Madrugada

Minhas leituras em dia


Começo a colocar minhas leituras em dia. Leio "Políticas para o desenvolvimento local", organizado por Ladislau Dowbor e Marcio Pochmann. Conheci Ladislau pelas mãos de Paulo Freire. Foi logo depois de ingressar na PUC-SP. E quase fui parar em Moçambique, como voluntário. Não me lembro o que deu errado. Aliás, Moçambique é um país que cruza meu caminho o tempo todo. Fui convidado para abrir o evento da Cáritas/Vaticano dos países de língua portuguesa que ocorreria lá. Na última hora, tive problemas com minha vacinação contra febre amarela. No ano passado, fomos contatados para montar programas de formação em gestão pública à distância em parceria com algumas organizações de Moçambique. Vamos ver se dá certo.
Também leio "Web e Participação: a democracia do século XXI" (Drica Guzzi) e "Estado de Exceção" (Giorgio Agamben). Agamben é o italiano responsável pela tradução das obras de Walter Benjamin para seu país. Leciona estética em Veneza. Este livro que começo a ler sustenta que o Estado de exceção (como o uso de violência sem regulação) é paradigma de governo nos dias atuais. Vamos ver.

Publicidade ou denúncia?

A ponta de lança de Ciro Gomes


É verdade que é seu irmão. Mas a entrevista de Cid Gomes para o jornal Valor Econômico revela mais que afinidades entre manos. E a defesa de Aécio é a sinalização do futuro de Ciro. Confira algumas passagens da entrevista:

Cid: Veja bem, do PSDB eu já vim, muito tempo atrás. É um partido social-democrata por formação e tal, mas ao longo do tempo virou um partido liberal, ou melhor, representa o pensamento conservador hoje no Brasil. Estou muito satisfeito no PSB. Não estou querendo trazer ninguém do PSDB para o PSB e acho também que o movimento no sentido contrário é improvável que aconteça. Vamos ter caminhos independentes. Eu, porque sou um social-democrata, um reformista, torço para que o PSDB retome sua posição original.

Cid: Sempre que um partido chega ao governo ele tende a ficar mais conservador. Isso foi do início ao fim do governo Fernando Henrique. Associou-se ao DEM, e como o DEM não tem muita representatividade, virou o estuário do pensamento conservador do Brasil. Conservador-reacionário. O PSDB é isso. Hoje, se você for definir o PSDB, é tranquilamente o partido mais conservador do Brasil, mais reacionário.

Cid: Mais do que o DEM, porque o DEM não tem força.

Cid: Isso não quer dizer o PSDB vir para o governo, ocupar ministérios, não foi isso que defendi. Foi um pacto de governabilidade em cima de pontos claramente e publicamente colocados. Em cima desses pontos se veria o que poderia ser assumido como compromisso. Afinal de contas você tem essas coisas incoerentes no Brasil. Quando o PSDB estava no governo defendia a CPMF. Quando vai para a oposição é contra, e vice-versa. Então, a responsabilidade de governar faz com que as pessoas amadureçam. Há quadros maduros no PSDB que não vão ficar na política de rixa, de antagonismo, só porque são oposição. Têm que pensar no Brasil. Política não é concessão, não é generosidade, é um jogo, de perde e ganha, de retrai aqui, avança ali. É natural da política, é natural da vida, e eu então imaginei que o feedback, o retorno, o ponto de compensação para o PSDB fazer isso seria (ceder) a presidência do Senado para o Aécio. É o que eu faria se estivesse no lugar da Dilma.

Anastasia, o mão de ferro


Jornalistas mineiros relatam que a negociação para montagem do secretariado mineiro teve em Anastasia uma mão de ferro. Poucos sabem, mas ele é um excelente negociador. Objetivo, claro, flexível.

Finalmente, o secretariado de Anastasia


Está prometido para amanhã o anúncio do secretariado de Anastasia. Foi parto difícil. Aliado joga muito pesado. Meus advogados sempre dizem que o pior adversário é ex-cônjuge ou ex-sócio porque sabem todos os segredos. Até o que nem nós sabemos.

Os personagens do interior


Toda cidade do interior tem seus personagens folclóricos. Aqui em Tupã, cidade onde nasci, temos vários. Mas há uma dupla, os irmãos Beretta, que pela ironia e inteligência são caso à parte. Somos de uma família de italianos do sul, baixos, que raramente ultrapassam 1,70m. Meu pai tem 1,64m. Os Beretta são altos. Mas tanto meu pai, quanto os Beretta, destilam aquela ironia e sarcasmo típicos dos italianos. A última tirada dos Beretta fez até meu pai rir. Eles disseram que meu pai deve ser feliz porque qualquer demanda na justiça vai diretamente para o juizado de pequenas causas.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Ministério Dilma e "a luta continua"


Marcos Coimbra publica, hoje, artigo em que contesta que o ministério de Dilma seja mera continuidade (43% dos ministros de Lula continuarão) ou excessivamente paulista (24,3% dos ministros são paulistas, para um estado que tem 22% da população). O conteúdo é correto, mas a forma como escreve revela a polarização política que permanece entre cientistas sociais e grande imprensa brasileira. Não há uma matéria da área política ou discussão entre sociólogos em que a racionalidade e a predisposição ao diálogo pareça campear. Manchetes e enunciados parecem desfraldar as bandeiras logo de cara. As comparações são fartas. Até uma mera notícia sobre leituras de cabeceira da próxima Presidente, típica de final de ano para ser lida ao som do mar de Itapuã, é pretexto para se afirmar que o todo poderoso Lula não lê. Algo que parece conhecido até da tela branca do computador. O que interessa é expurgar a raiva que, sinceramente, me parece uma raiva de classe e não de defesa da leitura. Dilma está mais à esquerda que Lula, mas é mais palatável que o peão-classe média que revelou sua genialidade política. O que parece um paradoxo. Como pode alguém menos à esquerda - e, portanto, mais próximo do ideário da Folha de SPaulo - ser mais odiado que alguém mais distante da bandeira da democracia ocidental (sic)? Puro ódio classista. Parece insuportável que alguém vindo da ralé seja superior ao dono que empunha seu diploma de doutorado (ou curso de férias nos EUA ou França). Mas é ainda mais insuportável que o peão-classe média saia do Poder Estamental da Política Tupiquim com os mesmos vícios semânticos da ralé. Sair sem superar suas citações futebolísticas ou suas ironias (muitas vezes infantis, que parecem incitar ainda mais o ódio dos escribas de boa pena), seu riso superior (no canto da boca), sua ausência de dedo, sua índole emotiva e contraditória. Um conciliador que veio e afirma que voltará às ruas! Como pode? Só há uma resposta: mesmo construindo o país dos desejos, Lula afirma um país que só daria notícia nos dias atuais se estivesse na 25 de março ou no Saara. Mas ver na TV o shopping center abarrotado desta nova classe média cujo acabamento ainda parece úmido é demais! A grande imprensa e parte dos cientistas sociais que até pouco eram os ícones da explicação do que é nosso país não se conformam. A luta continua! Com sinais trocados.

O máximo do Jazz: Coltrane

Artigo de Gaudêncio Torquato sobre o fim do ciclo Lula

O ciclo Lula dá adeus
GAUDÊNCIO TORQUATO - O Estado de S.Paulo

Daqui a seis dias, no final da tarde de sábado, Luiz Inácio Lula da Silva descerá a rampa do Palácio do Planalto, deixando a condição de mandatário-mor do País. Nesse momento, as cortinas descerão sobre um palco aberto em 1.º de janeiro de 2003, onde peças sempre bem aplaudidas exibiram a performance do mais prestigiado líder do Brasil contemporâneo, um dos raros a combinar dois celebrados conceitos de Maquiavel: a virtú e a fortuna. Ao maximizar seu prestígio junto às massas, reforçado por um perfil carismático, Lula administrou, de maneira exemplar, as circunstâncias de um tempo pleno de aspirações, atingindo, por consequência, o grau de maior provedor das necessidades do povo que governou. A sorte que bafejou o governante, soprada por ventos que revigoraram o ambiente econômico, foi usada por ele de maneira eficaz para estreitar as distâncias entre as classes sociais. Ajudou-o nessa tarefa a alma intuitiva de um brasileiro que saiu do andar mais baixo do edifício nacional. Alma plasmada pelas carências das populações mais sofridas. Esse tempero fez a diferença de estilo. Afinal, o que foi o ciclo Lula? Foi, sobretudo, a era de intensa dinâmica social, que propiciou a inserção de apreciável contingente ao mercado de consumo. A pirâmide das classes teve seu meio alargado com afunilamento da base, ou seja, tornou-se menos triangular e mais retangular. Esse constitui o maior feito do governo comandado pelo ex-metalúrgico. Além de 30 milhões de brasileiros que ascenderam à classe média (baixa), outro núcleo se movimentou da margem extrema da base para um degrau acima, ou, nos termos da estratificação social, subiram da classe E para a D. Abre-se, aqui, um parêntesis. A ascensão social foi, é e sempre será meta prioritária das esquerdas. Por consequência, o PT procurou validar o seu passaporte esquerdista - até para estabelecer um diferencial sobre outros partidos - a partir da política de inserção social da era Lula. Mas é arrematado exagero dizer que uma guinada esquerdizante passou por aqui. Há tentativas naquela direção - como criação de controles na área de comunicação e abordagens polêmicas na política de direitos humanos -, mas um sistema de freios tem segurado as intenções. Ademais, vale lembrar que o ciclo Lula caracteriza-se também por sediar uma teia de siglas insossas, inodoras e incolores. E mais: o sucesso do programa de distribuição de renda e acesso ao crédito teve uma semente plantada no passado. Sob essa leitura se esvanece a tese de que o grid de largada do Brasil na pista internacional é coisa exclusiva do governo Lula. Na verdade, a montagem da corrida se deu lá atrás, quando o ciclo Itamar/FHC abria os tempos estáveis do Plano Real. Por isso, parcela ponderável da expressão cívico/ufanista do período que se encerra faz parte do enredo de autoglorificação. O verbo solto que se emprega para exalar os feitos contemporâneos chega a lembrar o ciclo militar, quando a harmonia social, flagrada nas imagens de crianças brincando em jardins, se fundia com o verde-amarelo da bandeira, enquanto um hino cívico enaltecia o Brasil Potência. Nem por isso se pode diminuir a inequívoca virtú do presidente Lula, exercida nos palanques populares e nos salões nobres e irradiando influência. Exemplo é a imagem externa do Brasil. Ficou mais forte, apesar de rompantes da diplomacia, ao cortejar países de inequívoca tradição repressiva, como o Irã. Não se imagina evento de magnitude no plano internacional sem a voz do Brasil. Os êxitos do lulismo, como se aduz, se devem sobretudo ao gerenciamento da economia. Ali se desenvolveu uma política conservadora. Controle de câmbio e juros elevados. A habilidade do dirigente em aproximar os frutos econômicos do estômago das massas - entendendo-se que as camadas atendidas incluíram fortes estratos das classes médias - ganhou realce nos palanques da redundância, que deram ampliação aos fatos e versões. Portanto, na esfera da propaganda, o refrão "nunca antes na história deste país" pode ser considerado verdadeiro. Errado é usá-lo para comparações em alguns campos, eis que há cinco, seis ou sete décadas não havia parâmetros para medir programas governamentais. Ademais, não se pode comparar um país de 195 milhões de habitantes, num mundo globalizado, com um território de 50, 60 ou 70 milhões num espaço cheio de fronteiras. Já na seara política, a situação não avançou. Pode-se até concluir que Luiz Inácio usou com mais astúcia do que seus antecessores os meios de cooptação para formar sólida base de apoio ao governo. Passou perto dele o trem do mensalão, mesmo que defenda ter sido o fenômeno uma invenção da mídia. Ora, a Justiça provou que o processo ocorreu. A mesma sensação de que a coisa não andou ocorre nos campos da saúde, segurança, Previdência, tributos e trabalho. Viu-se, em compensação, um Judiciário mais solto e aberto, descendo de um altar inacessível para ficar mais próximo da sociedade. E tomou às mãos pautas da mais alta relevância. Cassou mandatos. E contou com o esforço de um batalhão de defensores da sociedade, arregimentados no Ministério Público. A corrupção não acabou, porém ficou mais exposta a controles. Por último, a dúvida: com a descida da rampa, o ciclo Lula se encerra? Sem dúvida. A explicação para a resposta leva em consideração o fato de que os ciclos governamentais não se repetem, mesmo que antigos dirigentes sejam reconduzidos ao posto de comando. Relembramos a velha lição do filósofo: "Um rio nunca corre duas vezes pelo mesmo lugar." Lula, como ele próprio já piscou, pode até voltar em 2014. Mas o ambiente deverá ser diferente. Outros movimentos aparecerão no cenário. A dinâmica social continuará em evolução, enquanto núcleos organizados energizarão a sociedade. É possível prever a migração do voto do bolso para o voto da cabeça. Bom sinal. O rio correrá por outros lugares.

Fundo musical para um domingo modorrento

sábado, 25 de dezembro de 2010

Papai Noel existe

O vice-presidente da República, José Alencar, mostrou evolução "surpreendente" no tratamento da hemorragia digestiva, afirmam os médicos que cuidam do político. Roberto Kalil Filho e Paulo Hoff não descartam a ida de Alencar à cerimônia de posse da presidente eleita, Dilma Rousseff. "Alencar tem expressado com frequência o desejo de viajar a Brasília", disse Kalil.

O Natal por dentro

O Brasil desejado para 2011

Quércia e o MR8


Outra história interessante envolvendo Quércia foi a aliança com o MR8. Não o MR8 da década de 70 (nada a ver com a organização de Gabeira, Franklin Martins ou César Benjamin), mas a organização que passou a idolatrar o regime cubano e, hoje, Hugo Chávez. Em abril deste ano se desligaram do PMDB e fundaram o Partido Pátria Livre (PPL), porque passaram a apoiar o governo Lula e se chocaram com a linha anti-Lula adotada pelo PMDB quercista. Diziam que o jornal Hora do Povo (do MR8) recebia apoio direto de Quércia. Em troca, denominavam Quércia de “O Grande Timoneiro”, o apelido carinhoso que Mao havia recebido anos atrás. Eu me lembro das brigas homéricas entre petistas e o pessoal do MR8, já nos anos 80, quando era comum os amignos do Grande Timoneiro utilizarem correntes para, digamos, acalmar os ânimos dos oposicionistas ao quercismo.
Como o mundo dá voltas!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Natal é família (2)


Meu pai acaba de resolver um dos maiores enigmas da minha vida. Nunca entendi porque "não entendi Patavina" quer dizer "não entendi Patavina". E não é que ele me mostra um dicionário brasileiro de provérbios que acabou com o enigma? A cidade italiana de Pádua se chamava Patavium. E falavam um dialeto muito estranho. ridicularizado por Asinius Pollio (que foi consul, historiador, amigo de Virgilio e Horácio e criador da primeira biblioteca pública que se tem notícia). Em suma: não entender Patavina significa que não dá para entender nada em função de um jeito estranho de falar do interlocutor. Cultura inútil também é cultura!

Natal é família


Aqui na casa de meus pais, as lembranças caem em cascata. Minha mãe é uma típica italiana, com todos deliciosos exageros do pacote completo. Sempre cantou músicas que ela esquecia as letras e inventava na hora. Uma espécie de Lula da música popular. Mas o que me lembrei hoje foi de como ela costuma me chamar pelo nome dos outros filhos. Uma confusão. Sempre me troca o meu nome com o do meu irmão. Às vezes, confunde com o da minha irmã, o que já me parece mais esdrúxulo. Mas lembrei, agora, que não raro ela me chama pelo nome da primeira cachorrinha que tivemos. Sei lá, mas espero que nem Freud explique.

Quércia foi um moderno coronel paulista


O falecimento de Quércia pode significar uma página virada na política paulista. Quércia foi um típico coronel de uma fase mais moderna, de um Estado que teve Adhemar de Barros, Jânio Quadros e Maluf como expoentes desta tipologia de políticos que fizeram da proteção e alimentação dos currais eleitorais seu modus operandi. Já contei neste blog uma passagem emblemática que presenciei, quando ele afirmou, em reunião na Assembléia Legislativa de São Paulo (durante a organização da campanha das diretas, que o PMDB cozinhava em fogo brando) que adorava trabalhar com a esquerda porque trabalhavam muito sem pedir nada em troca.
Também vivi um momento em que ele revelou menos, digamos, humor. Foi quando eu coordenava a Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA) em São Paulo. Foi o momento em que articulamos um comitê paulista pela reforma agrária e José Rainha Jr. iniciou a ofensiva no Pontal do Paranapanema. Nossos dados indicavam que haviam 400 mil hectares de terras devolutas por lá (um hectare equivale ao tamanho de um campo de futebol e terra devoluta é terra sem proprietário porque não há origem dominial a partir da lei de 1850). Quércia aproveitou a pressão que fazíamos e conseguiu apresentar uma proposta das mais, digamos, espertas. Propôs que os latifundiários invasores de terras devolutas entregassem 25% de suas terras ao Estado em troca da legalização do restante. Uma beleza da ética política! Uma espécie de grilagem oficial. Explico: antes da Lei de Terras de 1850, não havia propriedade da terra. O que havia era posse e partilha da posse (com origem no sistema de sesmarias). A partilha de uma posse era registrada pelo pároco local. A partir de 1850, este registro na paróquia ou o registro de compra e venda é que definiam efetivamente a propriedade. A grilagem chama-se assim porque alguns aproveitadores forjavam um documento paroquial que teria concedido uma posse a uma pessoa que, por sua vez, teria o direito familiar a partir da linha dominial iniciada com o documento forjado. O documento era depositado numa gaveta cheia de grilos (daí a palavra grilagem) que comiam e devoravam parte do papel, além de o deixar com cor que se aproximava de um papel envelhecido, fruto da ação de seus excrementos. Depois, era só registrar o documento falso em cartório. Nascia uma terra grilada.
Quércia oficializava a história toda: o latifundiário invasor assumia o erro e cedia parte de sua "ocupação" ao Estado e, em troca, era premiado com o título definitivo. Tenho todos documentos e propostas arquivados até hoje. Assim Quércia entrava no oeste paulista e forjava seu curral eleitoral. A relação era direta com prefeitos e latifundiários locais. A premiação do atraso duplo, político e econômico. A cereja do bolo era o movimento "municipalista". Sabia navegar como ninguém. Tanto que ganhou o apoio de parte dos grandes expoentes da economia da Unicamp. Eles conferiam este traço de produção intelectual moderna ao expoente do coronelismo moderno paulista.
Sua última demonstração de força foi nas eleições presidenciais passadas. Como estampava a manchete da revista Veja, Quércia "peitou" Michel Temer. O presidente nacional do PMDB e vice na chapa da candidata à Presidência Dilma Rousseff defendeu o apoio do partido ao então candidato a governador, Aloizio Mercadante. Quércia, naquele momento, dizia: "Vamos descer o sarrafo", ao citar a candidata Dilma Rousseff. O PMDB paulista fazia parte da aliança em torno da candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) a partir de costura de seu presidente estadual, também conhecido como Orestes Quércia.
Assim se fez (ou se faz) política em São Paulo.

O natar chegou (estou no interior de SP, gente!)

Admiração e repulsa


Estou no interior (oeste) de São Paulo, onde passo o Natal com minhas famílias (a que me escolheu e a que escolhi... filhos, esposa, pais, sogra, cunhados, cachorrinha etc e tal). Perguntei ao meu pai como os amigos dele reagiram à vitória de Dilma (estou num reduto tucano, embora meu pai se defina como "eterno independente"). A resposta dele é que Lula gera um misto de admiração e repulsa. E contou um dito popular para ilustrar:
Os alemães amam os italianos, mas não os admiram. E os italianos admiram os alemães, mas não os amam.

O MEC EM NÚMEROS

ProUni é principal trunfo da educação

César Felício, no Valor Econômico

Ano a ano, caíram as matrículas de crianças e jovens no ensino fundamental durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva. Entre 2004 e 2010, há 3 milhões de alunos a menos no primeiro ciclo do ensino. No ensino médio, a queda é verificada até 2009, com um pequeno aumento de 20 mil matrículas em 2010. Apesar disso, a redução desde 2004 é de 800 mil matrículas no segundo ciclo. Os especialistas divergem sobre o significado deste fato, que marca os oito anos da gestão dos ministros Cristovam Buarque, Tarso Genro e Fernando Haddad no Ministério da Educação. Para Mozart Neves Ramos, membro do Conselho Nacional de Educação, secretário da área no governo de Jarbas Vasconcelos em Pernambuco e conselheiro da ONG Todos pela Educação, a queda, sobretudo no ensino fundamental, representa o sucesso de políticas governamentais que começaram ainda no governo Fernando Henrique Cardoso. “É uma questão de vazão e fluxo. Em um primeiro momento, quando se conseguiu universalizar o acesso ao ensino fundamental, no início dos anos 90, houve um grande aumento de matrículas. À medida em que foram caindo os índices de repetência e a distorção entre idade e classe escolar, este fenômeno naturalmente iria se atenuando”, afirma. As informações colhidas pela ONG mostram que o índice de alunos que concluem o ensino fundamental passou de 54,1% em 2003 para 63,4% estimados para este ano e o do ensino médio de 36,3% para 50,2%. “Esta explicação não é suficiente para justificar o encolhimento do ensino médio. Ali as desistências se dão por desestímulo. Está aumentando no Brasil o índice de quem não trabalha e não estuda porque o governo adotou uma visão reducionista de exigir respostas rápidas em indicadores globais, ignorando a necessidade de uma formação para a cidadania”, comenta o cientista social Rudá Ricci, coordenador da ONG educacional Cultiva . “Muitos alunos que terminam o ensino fundamental em uma faixa etária acima da média desistem do ensino universitário. O ensino médio é uma etapa pouco motivadora, que não prepara nem para o trabalho, nem para a universidade”, concorda Mozart Ramos. A atenção com os indicadores globais foi a grande prioridade na gestão de Fernando Haddad, o terceiro ministro da Educação de Lula e que já está confirmado para permanecer no cargo na gestão da presidente eleita Dilma Rousseff. Durante sua gestão, foi dada especial atenção para a melhoria da avaliação do Ideb, uma sistemática de avaliação das escolas que concilia provas individuais para os alunos com análises do fluxo escolar. Entre 2005 e 2009, o índice do Ideb evoluiu de 3,8 para 4,6 nos anos iniciais do ensino fundamental. A meta do governo é atingir o índice 6,0 até 2022. As provas do Ideb são voltadas para as áreas de português e matemática, o que tende a colocar em segundo plano as demais disciplinas. Haddad ainda procurou garantir mais recursos para a área. Foi aprovada uma emenda constitucional que retira a educação da desvinculação de receitas da União (DRU). É uma iniciativa que deve permitir o aumento de R$ 11 bilhões no orçamento da Pasta a partir do próximo ano. Em 2007, o governo já havia reformulado as regras para a composição do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental (Fundef), incluindo todas as etapas do ensino na abrangência do fundo e rebatizando-o de Fundeb. A iniciativa fez com que os repasses saltassem de R$ 41 bilhões para R$ 83,8 bilhões ao ano. A União passou a arcar com o repasse adicional dos Estados do Nordeste, o que significou R$ 7,6 bilhões este ano. Mas foi na área do ensino superior que o governo Lula desenvolveu alguns de seus programas mais utilizados na propaganda governamental, ainda na gestão de Tarso Genro, o antecessor imediato de Haddad: o ProUni, o sistema de bolsas em faculdades particulares para estudantes de menor renda, deve atender 748,7 mil beneficiários até o fim deste ano e a quantidade de vagas na rede federal de universidades foi elevada de 109,2 mil em 2003 para 222,4 mil sete anos depois. O analfabetismo adulto é um flanco deixado aberto na gestão Lula, ainda atingindo 9,7% da população, segundo os dados da ONG integrada por Mozart Ramos. Em 2003, o índice era de 11%. “Esta foi uma prioridade do Cristovam Buarque, primeiro ministro da Educação de Lula, e que foi abandonada pelos seus sucessores, que procuraram alcançar resultados rápidos nos indicadores do ensino fundamental”, diz Ricci. O governo também não conseguiu estabelecer uma política consistente para a elevação dos salários do magistério, área em que Mozart Ramos calcula existir um déficit de 250 mil profissionais. “Faltou um pacto nacional com governadores e prefeitos para tornar real o piso nacional do magistério. A lei que o criou sofreu contestações judiciais e até hoje não são todos os Estados que o garante para seus profissionais”, diz Ramos.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Lula na TV


Uma dura lição à oposição. É assim que resumo este última fala de Lula Presidente em rede nacional de TV. Um primor:
1) Resumiu o que definiu como suas principais obras, mantendo timing na fala, nas imagens e na emoção;
2) Vinculou o distante mundo do poder com o cotidiano dos brasileiros. A fala ""Sempre antes de pensar como chefe de Estado, pensei como chefe de familia" é de uma competência midiática e política raramente vista no mundo político da atualidade;
3) Falou emocionado, num crescendo, até o momento final, de reforço do legado como "pai do Brasil". Segurou o choro visivelmente, o que reforça a identidade.

Dizer mais? Talvez, mas reproduzo a mensagem, como síntese, postada no twitter por alguém que desconheço, logo após terminar a fala de Lula:

tudoempax Jorge Eduardo
Lula, meu Presidente querido, você teve todos os méritos. Olê, olê, olê, olá, lula, lula..... Valeu Lula.
15 minutes ago Favorite Retweet Reply

Folha numa baita saia justa


1) O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, acredita que o blog Falha de S. Paulo, que fazia paródia do jornal Folha de S. Paulo, deve ser liberado. O site foi retirado do ar em setembro deste ano, por determinação do jornal, que alegava uso indevido da marca;
2) Para piorar, vazou a coluna interna da Ombudsman da Folha de S. Paulo, Suzana Singer, que é divulgada diariamente para os jornalistas da Redação. No texto, a ombudsman diz que o jornal “precisa noticiar o processo, fazer reportagem ouvindo os dois lados, explicar melhor sua posição. Não dá mais pra fingir que nada está acontecendo”;
3) A organização Repórteres Sem Fronteiras pediu que a Folha desista do processo.

Um pedido ao Papai Noel


Acho que não seria pedir muito ver José Alencar na posse de Dilma.

Entre Aspas sobre Lulismo


Gravamos o Entre Aspas, com Mônica Waldvogel, sobre a herança de Lula nesta tarde. Eu e Bolivar Lamounier analisamos as insuficiências do lulismo e o óbvio retorno em 2014. Refutei a tese do lulismo ser populista e destaquei a lógica ambivalente deste modelo de gestão, a queda da autonomia dos municípios (cada vez mais dependentes dos convênios com governo federal) e a ascensão da classe média, em especial, a rural. Tratamos da relação de ongs e estrutura sindical e outros temas que venho postando neste blog.
O programa vai ao ar no dia 30, na quinta da próxima semana.

Em São Paulo

Estou em Sampa, onde gravo às 15h30 o Entre Aspas tendo como tema "A Herança Lula". Parece que vai ao ar na primeira semana de 2011. À noite, posto uma nota sobre o programa. De madrugada, parto para Tupã, minha terra natal (não, não vou fazer trocadilho!).
Inté

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Hillary Clinton parabeniza jornalista mineira

Premio internacional destaca carreira da Daniela Arbex

A cerimônia de entrega do prêmio Knight Internacional Journalism Award 2010, que contemplou a repórter especial da Tribuna, Daniela Arbex, reuniu autoridades como o embaixador do Brasil em Washington, Mauro Vieira, e a secretária de estado norte-americana Hillary Clinton, além de renomados jornalistas dos Estados Unidos e do co-fundador do Twitter, Biz Stone. Além de Daniela, a honraria foi concedida ao empresário Tosca Santoso, da rádio KBR68H, da Indonésia, no continente asiático.
Um vídeo foi exibido mostrando a rotina da repórter no jornal e detalhando o processo de produção de sete matérias assinadas por ela, com depoimentos de personagens e autoridades envolvidas. Hillary Clinton fez um discurso parabenizando os dois premiados. Em seus agradecimentos, a jornalista juiz-forana relatou coberturas jornalísticas em que pode colocar-se como porta-voz de vítimas de violência e injustiças sociais, como pacientes de saúde mental, crianças e mulheres molestadas sexualmente. "Às vezes, nós, jornalistas, somos sua única voz." Ela também falou de reportagens investigativas que resultaram na renúncia e prisão de envolvidos em corrupção e outros crimes. "Essa é a nossa missão: transformar a sociedade e fazer a diferença", resume.
O Knight Internacional Journalism Award 2010 é coordenado pelo Internacional Center for Journalists, organização profissional sem fins lucrativos que atua em 170 países. A homenagem recebida por Daniela Arbex nos Estados Unidos se soma a vários outros prêmios em reconhecimento à sua atuação em defesa dos direitos humanos, sempre buscando o bem estar social. Formada em Comunicação Social pela UFJF e pós-graduada em Comunicação e Cultura pela UFJF em parceria com a UFRJ, ela já foi condecorada duas vezes com o Prêmio Esso, além de receber IPYS de melhor investigação jornalística da América Latina, em 2009. Ontem, Daniela foi recebida na Casa Branca, sede do Governo americano, para uma audiência com o secretário Nacional de Comunicação dos Estados Unidos.
Para saber mais, clique AQUI

Bispo dá tapa com luva de pelica no Congresso Nacional


Em protesto contra o reajuste de 62% que os parlamentares concederam aos seus próprios salários, o bispo emérito de Limoeiro do Norte, do Ceará, D. Manuel Edmilson da Cruz, recusou a comenda de Direitos Humanos D.Hélder Câmara, que este ano foi conferido pelo Senado, pela primeira vez. Ao falar no plenário, na sessão de entrega da comenda, o religioso lamentou que o Congresso tenha aprovado aumento para seus próprios salários, com efeito cascata nos vencimentos de outras autoridades, enquanto os trabalhadores no transporte coletivo de Fortaleza mal conseguiram 6% de reajuste, em recente reivindicação trabalhista. Segundo o bispo, enquanto o Congresso premia a si próprio, as aposentadorias estão reduzidas e o salário mínimo cresce "em ritmo de lesma". "Só me resta uma atitude: recusá-la (a comenda). Ela é um atentado, uma afronta ao povo brasileiro, ao cidadão, ao contribuinte, para o bem de todos com o suor no seu rosto e a dignidade no seu trabalho", disse. Para D.Manuel, o deputado e o senador que aprovaram o reajuste "não é parlamentar. É para lamentar". O bispo foi um dos cinco contemplados pela comenda D.Helder Câmara.

O Fim do MST

Com o Bolsa-Família e a ascensão da nova classe média rural no Brasil, o ocaso do MST já desponta no horizonte. Alguém duvida?

A classe média chega ao campo


A formação de uma forte classe média no meio rural brasileiro uniu liberais (que sustentavam esta meta) e esquerda na luta pela reforma agrária brasileira durante décadas. Muitas vezes, ouvi lideranças da Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA), nem todas de esquerda, sustentarem esta tese.
E não é que artigo publicado no Valor Econômico de hoje (escrito por Mauro Zanatta) afirma que esta tese já é realidade?
Vou reproduzir passagens do artigo:
O campo brasileiro tem passado por uma profunda mudança estrutural. Alimentada pela expansão da renda do trabalho, das transferências de renda do Estado e do nível de escolaridade, uma "nova classe média" menos desigual emergiu nos últimos seis anos na área rural do Brasil. Do ano 2003 até 2009, 3,7 milhões de pessoas passaram a fazer parte da agora predominante classe C, aponta um estudo inédito do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) feito para o Ministério do Desenvolvimento Agrário. A nova classe C rural, cuja renda domiciliar varia de R$ 1.126 a R$ 4.854 por mês, passou a dominar o cenário ao expandir-se 72% desde 2003. O estudo "Pobreza e a Nova Classe Média no Brasil Rural", coordenado pelo pesquisador Marcelo Cortes Neri, mostra que esse estrato social somava 35,4% da população rural no ano passado - em 2003, era 20,6%. "A redução da desigualdade foi mais forte e mais rápida na área rural, sobretudo nas regiões mais pobres", diz Neri. Em 2009, o segmento tinha 9,1 milhões dos 25,7 milhões de habitantes rurais. (...) Moradia de 15% da população brasileira, a zona rural do país viveu uma forte redução na pobreza, cujo índice global recuou de 51,5% para 31,9% dos residentes. A desigualdade, medida pelo Índice Gini, recuou 8,23% na área rural, ante 6,5% no total do país, aponta a FGV. A renda do trabalho aumentou de R$ 154,60 para R$ 201,80 por mês e a renda média per capita passou de R$ 213 para R$ 303. "Houve um aumento real de 42% na renda média rural", diz Marcelo Neri. No Brasil, a elevação chegou a 31,8%. As classes A e B, cuja renda domiciliar está acima de R$ 4.854 por mês, também continuaram a crescer - agregaram outros 282 mil habitantes. (...) Mas o impacto maior ocorreu mesmo nas classes D e E. Somadas, ambas encolheram 20,4% em seis anos. Quando considerada apenas a classe E, com renda inferior a R$ 145 a preços médios nacionais ponderados, 5,152 milhões de pessoas cruzaram a "linha da miséria". (...) "Estamos muito mais rápidos no rural. E temos mais espaço para avançar justamente nessas áreas mais pobres", diz Neri. A classe D, por exemplo, soma 30,2% da população rural e 23,6% dos habitantes urbanos. "Temos 7,8 milhões de brasileiros do campo que podem virar classe média me breve".

MG precisa aprender a induzir o desenvolvimento


Enquanto os políticos mineiros reproduzem a cantilena que governo estadual não induz desenvolvimento local, o nordeste e o Rio Grande do Sul demonstram o inverso. A ida da FIAT para Pernambuco é um dos tantos exemplos. Octávio Conceição, da Fundação de Economia e Estatística (FEE) do Rio Grande do Sul, comenta algo do gênero a partir do estudo Três Décadas de Economia Gaúcha, organizada por ele juntamente com Marinês Zandavali Grando. Reproduzo uma passagem da entrevista que concedeu à IHU-Unisinos:

A economia gaúcha hoje tem um caráter marcado pelo agronegócio, embora persistam importantes cadeias industriais modernizadas e modernizadoras. Cabe investir mais em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento), tanto no âmbito da parceria universidade/empresas (que ainda é extremamente baixo e precário), quanto no âmbito interno das atividades produtivas na indústria, na agricultura, no setor serviços, e na integração dessas três com o agronegócio. Sem modernização - leia-se avanço tecnológico, organizacional e institucional - jamais poderemos trilhar trajetórias sustentáveis de crescimento econômico e social. Se fosse usar uma palavra para caracterizar a economia gaúcha hoje, a classificaria como em um estágio de compasso de espera para o crescimento, mas com poucas iniciativas. Ela, através dos empresários, governo e trabalhadores, deve buscar seus novos caminhos sintonizados com as mudanças tecnológicas e sociais, as quais, por sinal, pouco avançaram nas últimas três décadas.

É perceptível como políticos e pesquisadores mineiros precisam retomar a discussão sobre o papel de liderança do governo estadual na indução do desenvolvimento. Há alguns anos, os governos mineiros decidiram adotar, na prática, um ultra-liberalismo nesta área. "Deixa a vida me levar" virou hino das pastas da área econômica mineira.

Uma outra visão sobre o RJ

Do Blog da Raquel Rolnik:

OLIMPÍADAS TRUCULENTAS

O plano olímpico da cidade do Rio de Janeiro tem revelado, na última semana, uma forte ambigüidade na qualidade de grande projeto de desenvolvimento urbano. No mesmo ritmo em que são feitos os investimentos públicos em infra-estrutura de transportes, e nas instalações esportivas, têm ocorrido vários episódios lamentáveis de violações de direitos básicos e de desrespeito à condição humana. Horror e tensão resumem o que inúmeras famílias têm passado na zona oeste do Rio desde o último dia 15. Denúncias recebidas de moradores, observadores e da Defensoria Pública do Rio de Janeiro relatam o abuso de poder e o verdadeiro estado de exceção que se estabeleceu às margens da Av. das Américas, que corta as comunidades Vila Recreio II, Vila Harmonia e Restinga no Recreio dos Bandeirantes. Sem qualquer negociação ou abertura ao diálogo, equipes da subprefeitura da Barra da Tijuca incluindo 40 homens da Guarda Municipal começaram uma operação de remoções sumárias e demolições de lares e pontos comerciais na área para a construção do Transoeste: um corredor de ônibus padrão BRT que fará a ligação da Zona Sul à Barra, região que concentrará a maioria das instalações e modalidades olímpicas em 2016. Segundo denúncias, retro escavadeiras da empreiteira que constrói o corredor estariam derrubando casas com mobílias e pertences dentro. Durante o dia 15, alguns moradores alegam que tiveram suas casas derrubadas enquanto estavam fora trabalhando e outros que receberam um prazo até meia noite daquele dia para se retirarem e darem espaço às máquinas. Uma equipe do Núcleo de Terras e Habitação da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro conseguiu, em caráter emergencial, uma liminar que suspendia as remoções forçadas, pois os oficiais da subprefeitura agiam sem ordem judicial de despejo ou intimação. Entretanto o pesadelo para os moradores dessas três comunidades da zona oeste carioca não terminou, já que a liminar da justiça não era válida a todos os imóveis. Nem as casas de santo – terrenos sagrados à tradição Candomblé, há décadas instalados ali – estão seguras das máquinas. Os moradores e representantes religiosos já realizaram duas mobilizações de repúdio a ação da prefeitura do Rio pelo modo como vem conduzindo as obras das Olimpíadas em detrimento do direito e da dignidade dos que vivem no caminho dos projetos. Sem muito efeito, na madrugada do dia 17 para o dia 18 policiais arrombaram casas expulsando as famílias e ameaçando todos de prisão. Muitos descrevem as cenas como a de uma batalha: roupas, objetos pessoais, malas, tudo jogado no chão na beira da via por onde trafegam continuamente caminhões, automóveis e agora pessoas sem um lugar para onde ir ou voltar. Não longe do Recreio dos Bandeirantes, o projeto olímpico também é conduzido, mas em tom menos hostil. No início da mesma semana, a prefeitura do Rio assinou o contrato de construção das mais de 2,4 mil unidades habitacionais de alto padrão, que comporão a Vila Olímpica na Barra da Tijuca e depois serão comercializadas por não menos que R$400 mil. O valor total estipulado para o projeto da vila é de quase R$1 bilhão e deve receber financiamento da Caixa Econômica Federal.

A volta de Lula


A oposição, mais uma vez, acusou o golpe. O medo é tamanho em relação à popularidade de Lula - refletindo a fragilidade da oposição e do sistema partidário - que só de ouvir o óbvio se desequilibra. O simples anúncio da possibilidade de Lula disputar as eleições de 2014 gerou revolta entre lideranças do PSDB e PPS. Populismo, terceiro mandato, chavismo, mexicanização, peronismo, todas adjetivações que tentaram emplacar ao longo do governo Lula caíram por terra. Aí, Gilberto Carvalho e o próprio Lula lançam ao ar o que até a Amorphophallus titanum já sabia e apenas se abriu para disputar visibilidade com a notícia. Lula tentará retornar ao Palácio do Planalto em 2014. Pela porta da frente, porque poucos imaginam que sairá de lá efetivamente.
Mas não é legítimo que se tente, pelo voto, retornar ao governo? E não seria uma sinceridade esperada pelo eleitorado?
Para o que nos interessa, o fato - do anúncio e da reação da oposição - estampa a decomposição do nosso sistema partidário. O simples anúncio é percebido como ameaça. Mais que ameaça: cria uma referência no subconsciente da população e arma o queremismo. É isto que está em jogo. Lula se projeto inteligentemente e continua sob a luz dos holofotes. Tentará manter esta expectativa o que colocará a oposição em mais uma possível polarização antecipada.
Se tivéssemos um sistema partidário equilibrado e enraizado nas ruas do país, esta declaração seria mais uma de um personagem que beira a incontinência verbal.
Nossa oposição é tão frágil que sempre que Lula fala, acaba ligando mais um holofote sobre seu maior pavor.

Chegou!

Hoje é dia de protesto nas prefeituras de MG


A Associação Mineira de Municípios espera que 491 prefeitos mineiros paralisem suas atividades em protesto contra a partilha de royalties do pré-sal. A previsão é que de 220 mil/ano para 70% das prefeituras das bandas de cá, com a divisão dos royalties saltariam para 1,6 milhão/ano.
Acho melhor se contentarem com 220 mil/ano.

PCdoB: eu avisei!

Na UOL:
A equipe de transição recuou da proposta de oferecer um segundo ministério para o PC do B ao se dar conta da reação das demais siglas aliadas, que, ressentidas com o tratamento diferenciado para uma bancada de 15 deputados, já ameaçavam votar contra eventual Medida Provisória destinada a criar a pasta da Olimpíada.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Ministros indicados hoje revelam guerra nos bastidores


Orlando Silva (PC do B) permanecerá à frente do Ministério do Esporte. Se eu fosse do PCdoB, começava agradecendo o Papai Noel desde hoje. Mas foi suado. Dilma cogitou indicar Luciana Santos (PC do B), ex-prefeita de Olinda, para aumentar o número de mulheres no primeiro escalão. Mas nada dos guerreiros baixarem a guarda. Os guerreiros tentam, agora, emplacar o todo poderoso que vai gerir as Olimpíadas. Vamos ver. Só levam se Aécio continuar tentando agarrar o bloquinho. Mas Dilma está desmontando o jogo dos aecistas no nordeste, o que deve lhe tomar tempo e deixar PDT, PSB e PCdoB órfãos.
De qualquer maneira, emplacou Maria Lucia de Oliveira Falcón, secretária de Planejamento de Sergipe, no Ministério do Desenvolvimento Agrário. Esta vai doer até o final do primeiro semestre, quando se negocia o Plano Safra. A Democracia Socialista, que comandou o MDA durante estes anos, sentiu o golpe. Era para o ministro ser Joaquim Soreano, boa-praça que conheço desde que tinha cabelos pretos. Dilma peitou esse pessoal. Talvez tenha algo com o nome da sigla... muito socialista para o gosto do lulismo. E apoiou o baixo clero petista na escolha do candidato à Presidência da Câmara Federal. Sei não, mas acho que vai ser mais duro negociar o Plano Safra em 2011. De qualquer maneira, Déda está no campo mais próximo dois movimentos sociais, no interior do PT.
Mulher do ex-presidente da CUT na Bahia, Péri Falcón, Maria Lúcia foi assessora econômica do sindicato dos petroleiros e químicos no Estado quando era presidido por Jaques Wagner. É economista da UFSE, engenheira agrônoma e muito ligada ao governador. Implementou a modernização na gestão de Sergipe, em parceria com o Movimento Brasil competitivo, do empresário Jorge Gerdau. Ao mesmo tempo, tem ligação com os movimentos sociais do campo, como o MST. Em Sergipe, já implantou projetos em conjunto que envolvem desde a irrigação na região do semi-árido para pequenos produtores a pagamento de bolsa para os trabalhadores dos canaviais durante o período da entressafra.
Finalmente, a socióloga Luiza Bairros vai para a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial; e Tereza Campelo, economista e mulher do ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira, para o Ministério do Desenvolvimento Social.

Temporão aprova Padilha como seu substituto

A coisa está mais para José Simão que para página de política. É até coerente um ministro que tem seu tempo de validade no nome apoiar um substituto que lembra o bordão "vai prá casa!" do Jô Soares.

"Let Me Down Easy" por Inez Foxx

Outra dica de Ed Motta

Dica de Ed Motta

Convite da OAB, do Movimento Tortura Nunca Mais e outros

Explicando a cena de Amargo Pesadelo

Recebi o link do duelo de banjo do filme Amargo Pesadelo enviado por meu pai. Junto com o link, meu pai enviou um comentário sobre a cena, que reproduzo abaixo:

CENA QUE MARCOU O FILME
O filme Amargo Pesadelo estava sendo rodado no interior dos Estados Unidos. O diretor fez a locação de um posto de gasolina nos confins do mundo, onde aconteceria uma cena entre vários atores contracenando com o proprietário do posto onde ele também morava com sua mulher e com o filho autista que nunca havia saído do terreno da casa. A equipe parou no posto de gasolina para abastecer e aconteceu a cena mais marcante que o diretor teve a felicidade de encaixar no filme. Num dos cortes para refazer a cena do abastecimento, um dos atores que sendo músico sempre andava acompanhado do seu instrumento de cordas aproveitando o intervalo da gravação e já tendo percebido a presença de um garoto que dedilhava um banjo na varanda da casa aproximou-se e começou a repetir a sequência musical do garoto. Como houve uma resposta musical por parte do garoto, o diretor captou a importância da cena e mandou filmar. Atentem para alguns detalhes:
- O garoto é realmente um autista;
- ele não estava nos planos do filme;
- A alegria do pai curtindo o dueto, que começa a dançar;
- A felicidade da mãe captada numa janela da casa;
- A reação autêntica de um autista quando o ator músico quer cumprimentá-lo.
A alegria de um autista, que é resgatada por alguns momentos, graças a um violão forasteiro. O garoto brilha, cresce e exibe o sorriso preso nas dobras da sua deficiência, que a magia da música traz à superfície. Depois, ele volta para dentro de si, deixando a sua parcela de beleza eternizada "por acaso" no filme "Amargo
Pesadelo" (Ano: 1972).

Amargo Pesadelo (o menino é autista)

Manchete do jornal O Tempo

Deu a impressão de ser manchete da área política:
Filhote de tucano e martim-pescador são abandonados em portas de casas na Grande BH

Laerte e sua travessia


De repente, ele começa a se vestir com roupas femininas. E continua com sua namorada. Mas participa fórum de crossdressers. Transgressão de um lado e de outro. Só podia ser coisa do Laerte. Veja a entrevista em que tenta explicar o que se passa AQUI

O caso da FIAT e os percalços de Aécio


Já comentei neste blog que a entrada de Ciro Gomes no governo Dilma cria um problema e uma solução. O problema para Dilma é o próprio Ciro. Mas a solução é que Aécio perde um dos expoentes de seu projeto para "refundação" do PSDB (refundar é neologismo para tomar). Nordeste, sem dúvida, é peça importante para os planos de Aécio, porque necessita retirar o peso de São Paulo da sigla, mas também reorganizar o partido no sul, demasiadamente identificado com o conservadorismo e a xenofobia.
É aí que entra o problema com a FIAT. O PSDB mineiro acusou o golpe. Dos 10 bilhões de investimentos que os italianos farão no Brasil, 3 ficarão com a nova fábrica em Pernambuco (7 bilhões serão destinados para MG). Suape receberá a nova fábrica. Mais que simbólico, do ponto de vista político. Aécio tentou se aproximar de Eduardo Campos. Algo aconteceu desde então. E Eduardo Campos ganhou a FIAT.
Para alguns, a FIAT leva a luz. Para outros...

Artigo de Fábio Konder Comparato sobre a condenação do Brasil

E AGORA, BRASIL?
Fábio Konder Comparato

A Corte Interamericana de Direitos Humanos acaba de decidir que o Brasil descumpriu duas vezes a Convenção Americana de Direitos Humanos. Em primeiro lugar, por não haver processado e julgado os autores dos crimes de homicídio e ocultação de cadáver de mais 60 pessoas, na chamada Guerrilha do Araguaia. Em segundo lugar, pelo fato de o nosso Supremo Tribunal Federal haver interpretado a lei de anistia de 1979 como tendo apagado os crimes de homicídio, tortura e estupro de oponentes políticos, a maior parte deles quando já presos pelas autoridades policiais e militares. O Estado brasileiro foi, em conseqüência, condenado a indenizar os familiares dos mortos e desaparecidos. Além dessa condenação jurídica explícita, porém, o acórdão da Corte Interamericana de Direitos Humanos contém uma condenação moral implícita. Com efeito, responsáveis morais por essa condenação judicial, ignominiosa para o país, foram os grupos oligárquicos que dominam a vida nacional, notadamente os empresários que apoiaram o golpe de Estado de 1964 e financiaram a articulação do sistema repressivo durante duas décadas. Foram também eles que, controlando os grandes veículos de imprensa, rádio e televisão do país, manifestaram-se a favor da anistia aos assassinos, torturadores e estupradores do regime militar. O próprio autor destas linhas, quando ousou criticar um editorial da Folha de São Paulo, por haver afirmado que a nossa ditadura fora uma “ditabranda”, foi impunemente qualificado de “cínico e mentiroso” pelo diretor de redação do jornal. Mas a condenação moral do veredicto pronunciado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos atingiu também, e lamentavelmente, o atual governo federal, a começar pelo seu chefe, o presidente da República. Explico-me. A Lei Complementar nº 73, de 1993, que regulamenta a Advocacia-Geral da União, determina, em seu art. 3º, § 1º, que o Advogado-Geral da União é “submetido à direta, pessoal e imediata supervisão” do presidente da República. Pois bem, o presidente Lula deu instruções diretas, pessoais e imediatas ao então Advogado-Geral da União, hoje Ministro do Supremo Tribunal Federal, para se pronunciar contra a demanda ajuizada pela OAB junto ao Supremo Tribunal Federal (argüição de descumprimento de preceito fundamental nº 153), no sentido de interpretar a lei de anistia de 1979, como não abrangente dos crimes comuns cometidos pelos agentes públicos, policiais e militares, contra os oponentes políticos ao regime militar. Mas a condenação moral vai ainda mais além. Ela atinge, em cheio, o Supremo Tribunal Federal e a Procuradoria-Geral da República, que se pronunciaram claramente contra o sistema internacional de direitos humanos, ao qual o Brasil deve submeter-se. E agora, Brasil?
Bem, antes de mais nada, é preciso dizer que se o nosso país não acatar a decisão da
Corte Interamericana de Direitos Humanos, ele ficará como um Estado fora-da-lei no
plano internacional. E como acatar essa decisão condenatória? Não basta pagar as indenizações determinadas pelo acórdão. É indispensável dar cumprimento ao art. 37, § 6º da Constituição Federal, que obriga o Estado, quando condenado a indenizar alguém por culpa de agente público, a promover de imediato uma ação regressiva contra o causador do dano. E isto, pela boa e simples razão de que toda indenização paga pelo Estado provém de recursos públicos, vale dizer, é feita com dinheiro do povo. É preciso, também, tal como fizeram todos os países do Cone Sul da América Latina, resolver o problema da anistia mal concedida. Nesse particular, o futuro governo federal poderia utilizar-se do projeto de lei apresentado pela Deputada Luciana Genro à Câmara dos Deputados, dando à Lei nº 6.683 a interpretação que o Supremo Tribunal Federal recusou-se a dar: ou seja, excluindo da anistia os assassinos e torturadores de presos políticos. Tradicionalmente, a interpretação autêntica de uma lei é dada pelo próprio Poder Legislativo. Mas, sobretudo, o que falta e sempre faltou neste país, é abrir de par em par, às novas gerações, as portas do nosso porão histórico, onde escondemos todos os horrores cometidos impunemente pelas nossas classes dirigentes; a começar pela escravidão, durante mais de três séculos, de milhões de africanos e afrodescendentes. Viva o Povo Brasileiro!

domingo, 19 de dezembro de 2010

Graffiti inglês (mas que poderia ser carioca)

Do Kibe Loco

Notícias de Minas Gerais


As notícias de final de ano pelas bandas de MG são mais quentes do que esperado:
1) Comecemos pelo investimento da FIAT numa planta industrial em Pernambuco. O PT local ficou calado, mas os tucanos aecistas reagiram. A própria FIAT reagiu e veicula, no momento, forte campanha televisiva com Milton Nascimento como fundo musical e tudo o que tem direito. Anastasia criticou a guerra fiscal e foi mais comedido;
2) Aliás, o governador Anastasia emplacou a lei delegada que lhe dá plenos poderes para criar ou extingiur secretarias e cargos comissionados a partir de janeiro. Algo parecido com o que Chávez conquistou na Venezuela, mas que poucos da grande imprensa procuram associar por algum motivo que me foge no momento. Também conseguiu passar proposta que incorpora os benefícios do setor de educação aos salários e proposta de Ficha Limpa para contratação de pessoal. Anastasia precisa criar duas secretarias para acomodar sua base de apoio;
3) A lei delegada parece afetar duramente o DEM. Como o mandato parlamentar cabe ao partido (segundo o STF) e não à coligação, os parlamentares democratas que são suplentes e que imaginavam que conquistariam uma vaga na Assembléia Legislativa com a nomeação de parlamentares eleitos para o secretariado estadual, viram seu sonho derreter neste calor de dezembro.

Néstor Kirchner já é nome de avenida

Do Página 12:
En los festejos por el 125 aniversario de Río Gallegos, la presidenta Cristina Fernández encabezó este mediodía el acto central en el que se rebautizó con el nombre "Presidente Néstor Kirchner" a la principal avenida de la capital de la ciudad patagónica. La jefa del Estado estuvo acompañada por sus hijos Máximo y Florencia y la ministra de Desarrollo Social, Alicia Kirchner, entre otros funcionarios.

Será que a moda pega? Quer dizer... deixa prá lá!

Síntese de uma trajetória pessoal

Felipe França do Brasil


Como alguém pode ter a coragem de achar que batalhador em nosso país é uma parcela pequena? O nadador brasileiro Felipe França venceu uma disputa apertada nos 50 m peito e conquistou a terceira medalha de ouro para o Brasil no Mundial de piscina curta de Dubai. Ao receber a medalha, ouviu o hino nacional de joelhos. Expressão de nossa cultura: religiosidade e batalha incansável. Só quem não conhece o Brasil pode acreditar que somos algo distinto disto.