sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Mais uma pesquisa avalia governo Dilma

Do ex- blog do Cesar Maia:


EDIÇÃO ESPECIAL: RESUMO DA PESQUISA GPP-DEM NACIONAL - 20 e 21/08/2011

1. O clima ainda é de otimismo, herdado do final do governo Lula. Em 2007, eram 31,1% os que diziam “vivem hoje muito melhor que seus pais”. Agora são 43,4%. O mesmo em relação ao futuro. Em 2007 eram 39,6% que diziam que seus filhos “vão viver melhor que eles hoje”. Agora são 49,6%.

2. Pensando em você e sua família, qual seu medo em relação ao futuro. Disparado com 39,1% Violência e Drogas. Depois vem desemprego com 9,6%.

3. Pensando no futuro, você diria que o Brasil: está no caminho certo 47,8%\ está no caminho errado 36,3%. Não sabe: 15,9%. Esses 36% mostram que há mais otimismo pessoal que em relação ao país. E as razões de ir no caminho errado são Corrupção 39,2%, Violência 17,7%, Políticos, maus governantes 14,9%, Pobreza 8,3%, Saúde 7,9%...

4. Internet. 57,4% dizem que têm computador em casa. 41% acessam a internet em casa (lembre que às vezes o computador é do filho e a pessoa entrevistada não acessa). 62,5% daqueles que costumam acessar a internet o fazem todo dia ou quase todos os dias. Ou seja, 26% dos eleitores têm computador em casa e acessa todos os dias. De todos os que costumam acessar a internet em qualquer lugar, ou 53,6%, são 79,3% os que participam de redes sociais, ou 42,5%. Só 12,1% discutiram sobre o voto na eleição de 2010. Esse número parece baixo, mas na verdade os que participam desse debate sempre, fora das eleições, não estão incluídos nesses 12,1%.

5. Valores. Contra casamento de pessoas do mesmo sexo: 51,2% (diminuiu em relação a 2007, quando eram 56,8%) \ Contra a legalização do aborto 77,2% (eram 73,3%) \ Contra a liberação da Maconha 81,4% (eram 80%) \ Pena de Morte: 45,4% a favor e 49,5% contra \  90% a favor de reduzir idade penal para 16 anos\ 79,7% a favor de aula de religião nas escolas públicas \  70,6% contra o governo controlar a imprensa \ 69,5% a favor da liberdade total de imprensa \ Cotas nas Universidades: contra 36,8%, a favor para negros 3,6%, a favor para pobres independente da cor: 50,3%.

6. Estado e Mercado: Governo deve reestatizar a Vale e Telecomunicações. A favor 45,2% e contra 39,2% \ Privatização de mais empresas públicas: contra 48,7% e a favor 37,1% \ Governo intervir o menos possível na sociedade: a favor 40,1% e contra 45,9%.

7. Assim, o "Partido Político" do eleitor brasileiro é aquele que defende Valores Conservadores e quer mais Estado na economia.

8. Governo. Avaliações de Dilma antes de tratar dos problemas e das funções de governo. Governo Dilma está no caminho certo 55,3%, caminho errado 25,3% \ Avaliação Dilma: ótimo+bom 42,7% \ 62,7% acham que governo Dilma ainda vai melhorar. 17,9% acham que vai piorar. \ 66,3% têm imagem positiva de Dilma e 24,3% negativa \ 61,7% acham que Lula acertou na escolha de Dilma e 26,9% que errou.

9. Avaliação das funções do governo Dilma. Os Institutos de Pesquisa perguntam sempre sobre as funções de governo. Mas as perguntas vêm soltas sem vinculação. O GPP vinculou as perguntas a Dilma. Dando nota de 0 a10 como você avalia o GOVERNO DILMA na área de ____?  Em seguida apenas as notas de 7 a 10, o que significa BOM+ÓTIMO. Economia: 29,7% \ Saúde 13,6% \ Educação 18,3% \ Segurança 10,8% \ Programas para os mais pobres 35,3% \ Estradas, portos e aeroportos 17,1% \ Combate a Corrupção 17,5% \  Combate a Inflação 18,2% \

10. Depois dessas respostas se refez a pergunta de avaliação de Dilma. Agora o Bom+ Ótimo = 33%. No início a pergunta foi solta, desvinculada e Dilma teve 42%.

11. Reparem o erro de querer desvincular Dilma de Lula. "Se o governo Dilma vier a ser um fracasso, você diria que o maior responsável seria": Dilma e sua equipe 39,6% \ Ex-presidente Lula que a indicou 12% \ PT e sua forma de governar 13,9% \ Partidos da base aliada do governo 12,2% \ Partidos de oposição ao governo 10,4%.

12. A corrupção está pegando em Dilma, apesar do esforço da imprensa, da elite empresarial, e de algumas lideranças politicas. "Como você avalia o nível de corrupção no governo Dilma. Você diria que está": Muito alto + Alto = 44,5%. Moderado 39,4%. Baixo 7,3%. Não existe corrupção 1,3%.  Só para quem respondeu muito alto e alto: "Quem é, na sua opinião, o maior responsável por tanta corrupção?" Dilma e sua equipe 11,6% \ Herdando do governo Lula 8,7% \ PT e sua forma de governar 9% \ Somando os três temos 29,3%. \ Partidos da base aliada do governo 7,8% \ Políticos em geral 58,8%.

13. Praticamente metade do eleitorado não sabe localizar os partidos entre esquerda, centro e direita. Só o PT fica abaixo dos 50% dos que não sabem responder. Mas, assim mesmo, com 39,1%. Porcentagem dos que avaliaram os partidos como de Direita: PT 18,2% \ PSDB 18,7% \ DEM 18,2% \ PMDB 21,7% \ PDT 13,9% \ PSB 13,5% / Esquerda: PT 29,3%, PDT 18,4% e PSB 17,2%. PSDB 15,1%, DEM 14,5% e PMDB 13,6%.

14. Escândalo político que o deixou mais indignado. Não lembram\não responderam 34,8% \ Mensalão 27,1% \ Corrupção no governo, transportes... 7,1% \ Dinheiro na cueca 5,7% \ Governo Collor-confisco da poupança 5,2% \ Palocci 4,2% \

15. Das opções listadas o que impede o Brasil de crescer: Corrupção e impunidade 41,3% \ Impostos altos 28,5% \ Aumento da Inflação 8,1% \ Falta de obras públicas 8%, Falta de mão de obra qualificada 6,6% \ ...

16. Partidos 1. Não conhece ou não sabe avaliar. PT 27,4% \ PMDB 45,3% \ PSDB 50% \ PSB 69% \ DEM 73,4% \ PP 77,7% \...

17. Partidos 2. 77,6% acham que os partidos políticos são importantes para o país. 20% acham que não \ Na hora de votar você leva em conta: o candidato 38,2% \ o candidato e o partido 33,3% \ mais o candidato e pouco o partido 17,6% \ mais o partido e pouco o candidato 5,4% \ somente o partido 2,7%...

18. Partidos 3. 91,4% não são filiados a partido político \ 5,8% são \ 2,8% pensam em se filiar. Desses 5,8% que são filiados 30,1% são no PT (ou 1,7% do eleitorado), 18,3% no PMDB, no PSDB 10,7%, no PC do B 9,3% \  PSB 5,6% \...DEM 2,9%... Dos 2,8% que pensam em se filiar num partido 46,5% (ou 1,3% dos eleitores), no PT, 17% no PSDB, 16,6% no PMDB, 0,8% no DEM..., 10,4% sabem que o antigo nome do DEM era PFL.

19. Temas. 92,1% nunca ouviram falar na Emenda 29 e só 1,6% a favor \ 19,2% são beneficiários do bolsa família.

20. Auto-Percepção social. 4,3% se dizem de classe alta, 36,7% de classe-média, 34,2% de classe média-baixa e 22,7% de classe baixa.

21. Se a eleição fosse hoje, em quem você votaria para presidente da república: Dilma 42,8% \ Um candidato da oposição 42,5%.  

Lula de olho arregalado

CNI/Ibope: aprovação de Dilma aumenta 4 pontos e chega a 71%

Quando questionados sobre o desempenho do governo federal, 51% dos entrevistados consideraram que a atual gestão é ótima ou boa. Outros 34% a consideram regular e apenas 11% a avaliam como negativa. 



O Palhaço

Assisti O Palhaço, o novo filme de Selton Mello premiado no Festival de Paulínia (que, aliás, vem roubando a cena do Festival de Gramado). É o segundo filme que assisto em que ele é diretor (assisti Feliz Natal, mas ele já havia dirigido um curta, que não conheço: "Quando o tempo cair") e novamente me deu a impressão de Selton Mello ser uma pessoa melancólica, intimista. Contudo, ao contrário do Feliz Natal, este novo filme é mais doce e esperançoso. Embora a esperança apareça apenas ao final. Um final emocionante, quando o ator/palhaço se acha (ou se conforma).
Selton Mello é o palhaço Benjamin que contracena com seu pai, o palhaço Valdemar (interpretado por Paulo José, que estava ontem na abertura do festival de cinema de BH). O circo viaja pelo interior de Minas, sempre se deslocando por estradas de terra empoeiradas. Quando param, se alimentam ou montam o circo em terrenos inóspitos e decadentes. O público que os assiste é ralo: 33 ou 50 pessoas, sempre são contados explicitamente ao longo do filme, como que para criar a noção de frustração.
Há pequenas malandragens entre alguns dos membros da trupe e todos são perdoados, com exceção dos que furtam. O renascimento do circo e de Benjamin fecham o filme.

Márcio Lacerda recebe sonora vaia

Ontem estive na abertura da Mostra de Cinema de BH que ocorreu no belo cinema de Santa Tereza. O primeiro filme foi o premiado O Palhaço, de Selton Mello. Portas abertas às 20h30. A fila era grande. Todos sentados e... nada. Muitos começaram a aplaudir, pedindo o início da abertura da mostra.
A foto que ilustra esta nota revela como o cinema estava lotado, com alguns músicos ao fundo (perto da tela).
Os organizadores, afinal, começam o evento. Discurso, vídeos, performances e entrega de placas comemorativas aos vários patrocinadores e apoiadores ( e olha que são muitos e muitos). Uma falta total de sensibilidade dos organizadores, dado que a plateia já esperneava.
De repente, entra o prefeito Márcio Lacerda, em passos largos. Ao ser chamado ao palco, começa uma sonora vaia. Que vaia! Muita gente vaiando. Eu e minha família ficamos atônitos. Eu não gosto de nenhum tipo de corporativismo ou utilitarismo político. É um direito, mas acho de extremo egoísmo. Mas havia desrespeito. Alguns gritavam "dá uma olhada no foralacerda.com ". Fui olhar e o site realmente existe. Não deu para identificar quem estava vaiando, se alguma força política organizada. Mas eram muitos.
Há, obviamente, um crescente descontentamento com a política cultural da prefeitura. Recentemente, o FIT foi amputado e quase foi banido do calendário de BH. Lacerda, contudo, demonstrou sangue frio e disse que na democracia todos têm direito à manifestação e pedia que as vaias se transformassem em críticas construtivas para que ele melhorasse a política cultural da cidade. Citou, rapidamente, que estamos em período pré-eleitoral... Sua fala, muito rápida que terminou com anúncio de liberação de 1,3 milhão reais para revitalização do Cine Santa Tereza, foi seguida de uma tentativa de retomada do controle por Quintino Vargas, organizador da mostra. A fala de Quintino não surtiu nenhum efeito, a não ser alguns gatos pingados que aplaudiram seu discurso que teve como mote "mineiro não é assim".

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Endividamento crescente EUA e Zona do Euro


Apresentação de Tombini ao Senado (2)


Apresentação ao Senado do presidente do BC, Alexandre Tombini (1)

Luiza Erundina

Desde que trabalhei no seu governo paulistano, 
passei a ser admirador de Erundina.
E ela não me deixa sem argumentos. Neste momento,
participa ativamente da Frente Parlamentar pela
Liberdade de Expressão e o Direito a Comunicação
com Participação Popular, a Frente Parlamentar
pela Reforma Política com Participação
Popular (que, entre seus objetivos, estão o 
aumento do número de mulheres candidatas nos 
quadros dos partidos políticos e o seu conseqüente
aumento da participação nas esferas de poder, além
de prever alterações no atual sistema eleitoral) e
a Frente Parlamentar em Defesa do Voto Aberto, 
criada com a pretensão de pressionar a Presidência
da Câmara a incluir na pauta da Casa, a 
proposta de emenda à constituição (PEC 349/01) que 
institui o voto aberto no plenário.
A PEC está parada na Câmara desde setembro de 2006,
quando foi aprovada em primeiro turno.
Luiza acolheu, ainda, a proposta de lei de responsabilidade fiscal e social elaborada
pelo Fórum Brasil do Orçamento.
Grande Erundina! 

Os partidos como parasitas

Por Renato Janine Ribeiro

Valor, 12/set/11

Uma convicção difundida, entre comentadores da política e cientistas
políticos, é que partidos fortes são essenciais para a democracia. Já
filósofos e estudiosos da comunicação não se entusiasmam tanto pelos
partidos, mas reconhecem sua utilidade. Ora, um mantra da discussão política
no Brasil é que os partidos são fracos, representam pouco e tendem a
expressar mais os interesses dos políticos que os do eleitorado. Não espanta
que nossa legislação seja uma mãe para os partidos. Deixou de regulamentar
seu funcionamento interno, o que seria bom, não fosse o fato, revelado pelo
Valor, de que vários deles, mesmo importantes, funcionam na base de
comissões provisórias nomeadas pela direção nacional, sem democracia
interna. Houve momentos, na ditadura, em que a lei fixou um máximo de
partidos (dois), determinou que tivessem o "P" de partido em seu nome e até
mandou suas convenções se realizarem em Brasília. Bobagem, que passou. Mas
continua havendo vantagens para os partidos que, paradoxalmente, talvez
expliquem por que são fracos. Não precisam ir à luta, conquistar o apoio do
povo.  
Isso os fragiliza, isso nos fragiliza.
Por que, no Brasil, só partidos podem lançar candidatos? Não é assim na
França, Estados Unidos ou Grã Bretanha, três democracias exemplares, fruto
de grandes revoluções democráticas. Lá, quase todos os eleitos em nível
nacional pertencem aos principais partidos, mas isso não é obrigatório. Os
partidos se fortalecem sem serem donos da atividade eleitoral. São fortes
porque lutam por isso, não porque a lei lhes dê o oligopólio da política. Já
no Brasil só pode concorrer quem se filiou a um partido doze meses antes da
eleição - o que exclui do direito de se eleger 95% ou mais da população.
Nossos partidos não militam pela causa da política
Essa oligopolização da política traz um adicional. Você se filia sem a
certeza de que será candidato. Entre você e o voto popular, está a cúpula
partidária. Itamar Franco se inscreveu no PMDB, em 1998, esperando concorrer
à sucessão de FHC. Uma vez filiado, o PMDB aproveitou o ilustre refém para
negociar com o governo tucano e liquidou sua candidatura. Mas é legítimo uma
pessoa, que pode expressar a vontade popular, ser impedida de ir às urnas
porque o partido lhe negou legenda?
Imaginemos que o PSDB se divida entre Serra e Aécio, em 2014. Se um deles
notar que não tem chances no partido, sua única saída será mudar de legenda
antes de outubro de 2013. Ora, dificilmente um deles saberia disso a tempo.
Portanto, digamos que disputem a convenção.  
Quem perdê-la não poderá apelar ao povo. Na França, Estados Unidos ou
Argentina, poderia - e poderia ganhar a eleição. Agora, à pergunta:  
isso enfraquece o partido? a resposta adequada é: menos que o sistema atual.
Hoje, o perdedor na convenção dificilmente dará apoio entusiástico ao
vitorioso. Muitos serristas acusaram Aécio de corpo mole na eleição de 2010.
Mas, se ambos puderem ir ao povo, o que teremos? Certamente, outras
lideranças partidárias - a começar por FHC - tratarão de curar as feridas e
 negociar um acordo. Para isso, não precisa haver uma lei barrando candidaturas. 
É melhor a lei ser aberta, e os conflitos se resolverem na prática. Mais maduro.
Em termos municipais, nem se fala. Com raras exceções, prefeitos se elegem
em torno de temas locais - no mundo todo. A maior exceção costuma estar à
esquerda, mais afeita a propostas sociais, que interferem na vida cotidiana.
Mas, até porque em vários municípios as coligações se mostram monstruosas,
aliando partidos opostos no plano federal, por que não admitir listas fora
dos partidos? É um absurdo o prefeito de S. Paulo precisar criar um partido
para continuar na política, com todas as consequências que vimos nas
filiações ao PSD.
Em 2010, os tribunais eleitorais difundiram spots publicitários sobre a
importância do voto. A intenção era ótima. A ilusão, total. Diziam que o
Poder Executivo reduz as desigualdades. Ora, esse é um belo ideal, mas só
isso. Mostraram um eleitor sabatinando os candidatos, como se disputassem um
emprego. Na teoria, é assim. Na prática, os candidatos dos grandes partidos
têm muito mais poder que os cidadãos.  
No fundo, os spots indicaram um problema de nossa política: que os tribunais
eleitorais acabam assumindo um papel que deveria ser dos partidos.
Tomemos os Estados Unidos, onde o voto não é obrigatório - o que leva a um
grave problema, que é a abstenção maior entre negros e pobres, que por isso
recebem menor atenção dos políticos, o que aumenta o alheamento político de
negros e pobres, levando os políticos a lhes darem menos... Mas, lá, se um
partido quiser conquistar o voto de negros e pobres, terá de convencê-los de
que é importante votar. Ou seja, em vez de um spot abstrato, no qual a
Justiça cega e imparcial fala do voto em geral, teríamos spots concretos, em
que um partido diz: se quiser combater a corrupção, vote em nós; se quiser
eliminar a miséria, vote no partido tal; e assim por diante.
Isso acabaria com um aspecto que a eleição tem hoje: a reserva de mercado.
Por lei, os partidos têm o monopólio das candidaturas. Por lei, os cidadãos
têm de votar. Daí sucede que, no dia da eleição, muitos votantes não saibam
ainda em quem votar e peçam indicações a amigos. Eu o fiz, em 2010, para
deputado estadual. Ora, se você não está convencido de um candidato, por que
votar nele? Por que votar? Os partidos, oligopolistas da política, têm
apenas de disputar em quem você votará. Não precisam militar pela causa da
política. Não precisam convencer ninguém da importância do voto. Funcionam
como parasitas, não como atores da política. Isso tem de mudar.

Renato Janine Ribeiro é professor titular de ética e filosofia política na
Universidade de São Paulo. Escreve às segundas-feiras
E-mail rjanine@usp.br

Anexados:

terça-feira, 27 de setembro de 2011

TSE aprova PSD de Kassab

Por 6 votos a 1, o Tribunal Superior Eleitoral aprovou nesta terça-feira a criação do PSD. O julgamento do pedido de registro, que começou na semana passada, foi concluído hoje. Com a decisão, o partido poderá disputar as eleições municipais do ano que vem.
Em Minas Gerais, o organizador do novo partido é um dos dirigentes empresariais mais próximos do Palácio do Planalto e, não surpreendentemente, do PSDB. O engenheiro civil Paulo Safady Simão, 62 anos, é presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) desde 2003, embora sua empresa, a Wady Simão, não esteja mais em operação. Isto não o impediu de ser um dos interlocutores do governo com o setor privado na formulação do programa "Minha Casa, Minha Vida" e de participar do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.
Simão participou da campanha derrotada de Pimenta da Veiga ao governo do Estado em 1990 e foi o presidente da autarquia estadual de turismo no governo de Eduardo Azeredo, entre 1995 e 1998. Nos anos 50, a Wady Simão foi uma das construtoras do "conjunto JK", o edifício mais alto de BH. A empresa está desativada desde que Simão assumiu a presidência da CBIC.

Fernanda (minha filha) e Matheus (meu quase filho) no Rock in Rio


I Seminário Nacional de Participação Social


A SECRETARIA GERAL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, por meio da Secretaria Nacional de Articulação Social, realiza, no período de 26 a 28 de outubro, em Brasília (DF), o I Seminário Nacional de Participação Social.

Local
SHS Quadra 05, Bloco H, Brasília –DF
Hotel: Naoum Plaza Hotel

Objetivos
Apresentar um balanço dos processos de participação social e debater sobre iniciativas e perspectivas para os próximos anos;
Diálogar com setores da sociedade a elaboração de diretrizes e contribuições para o Sistema Nacional de Participação Social;

Público Convidado
  • Gestores federais, estaduais e municipais da participação social;
  • ONGs e entidades dos movimentos sociais;
  • Conselheiros Nacionais;
  • Pesquisadores do tema – professores, estudantes;
  • Movimentos sociais da Rede.

Temas propostos para as Oficinas
  • Participação social e orçamento público – OP, PPA, Controle e Transparência
  • A relação das novas mídias com as formas de representação e participação
  • Diálogos sociais – a relação entre movimentos sociais e governos democráticos
  • Articulação Federativa e Participação Social
  • Formação de Conselheiros
  • Participação Social na Rio + 20
  • Educação para Cidadania Ativa
  • Conferências, Conselhos e Comissões – a ampliação dos espaços institucionais de participação social e o aperfeiçoamento da democracia participativa no país
  • Ouvidorias - participação social e garantia de direitos
  • Juventude e participação social
Programação

DATA
PERÍODO
PROGRAMAÇÃO
CONVIDADO
TEMA
Todos os eventos serão transmitidos em tempo real pela internet
26/out
19:00h
Solenidade de Abertura do Seminário
Gilberto Carvalho
Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República 
Conferência de Abertura
John Gaventa
Diretor do Coady International Institute and Vice President International Development, St. Francis Xavier University – Canadá; Coordenador pelo Institute of Development Studies (IDS) do Logo Link (Rede de Aprendizagem em Participação Cidadã e Governança Local)
27/out
9:00 às 13:00h
MESA DE DIÁLOGOS
Participação Social: balanço, avanços e limitações
Luiz Dulci
(a confirmar)
Ex-Ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República
Leonardo Avritzer
Coordenador do Projeto Democracia Participativa da UFMG, Coordenador do programa de Formação de Conselheiros Nacionais, Pós-Doutor em Ciência Política pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), Doutor em Sociologia pela New School for Social Research.
Roberto Pires
Coordenador de Estudos sobre Estado e Democracia do IPEA, Doutor em Políticas Públicas pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), mestre em Ciência Política pela UFMG e bacharel em Administração Pública pela Fundação João Pinheiro.
Rosangela Dias Oliveira da Paz
Doutora em Serviço Social pela PUCSP, professora e pesquisadora da PUC-SP. Pesquisadora do Instituto de Estudos, Formação e Assessoria em Políticas Sociais – Pólis. Membro da coordenação do projeto de pesquisa, "Arquitetura da Participação no Brasil: avanços e desafios", uma parceria do Instituto Polis e do Instituto de Estudos Socioeconômicos - Inesc com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea.
Sérgio Haddad
Educador e economista, com mestrado e doutorado em Sociologia da Educação. É Presidente do Fundo Brasil de Diretos Humanos, fundador e assessor da ONG Ação Educativa. Foi presidente da ABONG – Associação Brasileira das ONGs e Relator Nacional para o Direito à Educação. É membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social – CDES da Presidência da República.
Moderador
14:30 às 18:00h
Oficinas simultâneas
·         Participação social e orçamento público – OP, PPA, Controle e Transparência
·         A relação das novas mídias com as formas de representação e participação
·         Diálogos sociais – a relação entre movimentos sociais e governos democráticos
·         Educação para a cidadania ativa
·         Conferências e Conselhos – a ampliação dos espaços institucionais de participação e o aperfeiçoamento da democracia participativa no Brasil
·         Ouvidorias – participação social com garantia de direitos
·         Juventude e participação social
·         Articulação Federativa e Participação Social
·         Participação social e reforma política
·         O Teatro do Oprimido como metodologia de participação social

28/out
9:00 às 11:00h
CONFERÊNCIAS
Participação e Cidadania: novos horizontes e desafios






Pedro Pontual
(Diretor do Departamento de Participação Social da SNAS / Secretaria-Geral da Presidência da República)
Conferencista
Desafios de um Sistema Nacional de Participação Social
Larissa Beltramim
(Secretária-Executiva do Fórum de Direitos e Cidadania)
Conferencista
Fórum de Direitos e Cidadania: garantia e expansão de direitos
José Antônio Moroni
Filósofo, Membro do Colegiado de Gestão do INESC, Membro da Plataforma de movimentos sociais e ONGs sobre Reforma Política
Conferencista
Desafios à construção de uma “arquitetura da participação social”
José Eduardo Elias Romão
(Ouvidor Geral da União, graduado em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (1998), especialista em Direito Humanos (2001), mestrado (2003) e doutorado (2010) em Direito Público pela Universidade de Brasília.)
Moderador
11:15 às 13:15h
MESA DE DIÁLOGOS
Movimentos da Rede: a relação das novas mídias com as formas de representação e participação
Cezar Alvarez
Secretário-Executivo do Ministério das Comunicações.
Foi Chefe de Gabinete-Adjunto de Agenda do Presidente da República e Coordenador dos Programas de Inclusão Digital do Governo Federal. Exercia também, na Presidência da República, a função de Secretário-Executivo do Comitê Gestor do Programa de Inclusão Digital, responsável pelo acompanhamento do Programa Nacional de Banda Larga. É graduado em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Wilson Gomes
Wilison Gomes Professor Titular da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia, Doutor em Filosofia e Coordenador do Grupo de Pesquisa em Comunicação Internet e Democracia da UFBA
Vinícius Wu
Historiador, Chefe de Gabinete e Coordenador do Gabinete Digital do Governador do Rio Grande do Sul 
Daniel Bittencourt
Graduado em jornalismo, mestre em Comunicação pela Unisinos, coordena o curso de bacharelado em Comunicação Digital da Unisinos. Foi um dos cocriadores da wikicidade Portoalegre.cc
Daniela Silva
Graduada em jornalismo, mestra em comunicação pela Casper Líbero, diretora da Esfera projeto de comunicação, política e novas tecnologias, faz parte da comunidade Transparência Hacker
Yasodara Cordova
Designer de interfaces, Professora na UnB do curso de desenho industrial. Trabalhou na produção dos debates sobre o Marco Civil da Internet, da Lei de Direitos Autorais e, entre outros, do Código de Processo Civil (CPC)
Debatedora
Cleyton Boson
Graduado em Jornalismo, pós-graduado em Economia e Sociologia pela Unicamp, atua na Rede Brasileira de Orçamento Participativo e é membro do Coletivo Digital de Guarulhos
Debatedor
Ricardo Poppi
Graduado em Ciência Politica, Assessor da Secretaria-Geral da Presidência da República, ajudou a produzir e coordenar os debates online do Ministério da Justiça, como do Código de Processo Civil (CPC)
Moderador
14:30 às 17:00h
Trabalhos em grupo
A construção de um Sistema Nacional de Participação Social
17:00 às 18:30h
Plenária Síntese
Uma Agenda Futura da Participação Social
Paulo Maldos
(Secretário Nacional de Articulação Social / Secretaria-Geral da Presidência da República)
Pedro Pontual
(Diretor de Participação Social / Secretaria-Geral da Presidência da República)




segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Seminário O Lugar de Minas (2)


Seminário O Lugar de Minas (1)


Viajando no sul de Minas

De Pouso Alegre à Machado. De Machado à São João Del Rei. De São João à Pouso Alegre. Não, não se trata de plágio mineiro às músicas de Tim Maia ou Ed Motta. É meu roteiro de viagem desde quinta-feira passada. Daí não atualizar o blog com tanta frequência. Mas tudo entrará no lugar na quarta.
Aliás, na sexta, dia 30, estarei debatendo a política mineira, seu lugar e perspectivas, com o professor Otávio Dulci, a partir das 9h00, no hotel Mercure, em BH (Avenida Contorno). Logo após nossa mesa, uma segunda mesa discutirá a economia mineira. Organização do Instituto Cultiva e Band News.

Adeus à ideologia?

Denis Rosenfield é um caso raro no Brasil de intelectual que se declara de direita. Uma ave rara. Hoje, no Estadão, publica um artigo com o título "Adeus à ideologia". O título já é a prova que a ideologia ainda existe. É como o caso do ateu que só fala em Deus. Mas o mais interessante é que o artigo faz uma interessante crítica sobre as relações de conflito entre assentados rurais e indígenas, na luta pela terra. Rosenfield procura ideologizar o conflito a partir do que seria a defesa irracional de "minorias". Afirma que agenda das minorias foi incorporada pela esquerda e, neste caso, a defessa das terras indígenas se configuraria em resistência ao capitalismo.
O artigo seria uma boa narrativa dos conflitos envolvendo estes segmentos sociais. Mas o autor afeta o artigo com sua gana por ideologizar tudo. O que faz do título uma ironia ou uma pergunta.

domingo, 25 de setembro de 2011

Teorias sobre Redes Sociais

O Instituto C&A acaba de publicar um estudo intitulado Vida em Rede, coordenado por Cássio Martinho. Um dos capítulos é elaborado por Ilse Sherer-Warren, da UFSanta Catarina, autora que utilizo como referência para meus estudos sobre movimentos sociais, desde minha pesquisa para o mestrado.
O texto de Ilse recebe o título de Redes da Sociedade Civil: advocacy e incidências possíveis. Como sempre, a autora procura elaborar uma síntese sobre o conceito. Ilse sugere três tipos de redes:
1. Redes sociais: seriam comunidades ao redor de afinidades e causas comuns (redes de parentesco, redes religiosas, recreativas e associativas);
2. Coletivos em rede: articulações entre organizações ao redor de metas e difusão de informações;
3. Redes de movimentos sociais: conexão simbólica e solidária, envolvendo campos de conflito e/ou mudanças sistêmicas.

Estas redes se estruturam a partir de níveis estratégicos distintos. Ilse sugere quatro níveis: organizações de base (ongs), mediadoras, mobilizatórias (mutirões e campanhas) e movimentalistas.

Trata-se de uma aproximação à sistematização de tema tão recente. De qualquer maneira, Ilse faz uma classificação que possibilita compreender - e fundamentar - uma lógica social mais complexa do que as teorias do século XX se propunham analisar. Existe uma realidade de estruturas em rede que oscila entre a fluidez e a articulação política, algo entre estruturas organizativas clássicas e inovações de tipo structural holes.

Ano letivo (OCDE)

O argumento do ministro Fernando Haddad para aumentar o número de dias letivos não tem respaldo internacional. Segundo levantamento da OCDE, apenas Coréia possui 220 dias letivos/ano. Dinamarca (200 dias), Noruega, Inglaterra, Eslovênia e Chile (ao redor de 190 dias) estão entre os países com maior número de dias letivos. Finlândia, o país com melhor desempenho dos alunos, segundo o PISA, possui 188 dias letivos/ano.
Enfim, qual o motivo para tapar o sol com a peneira?
Vamos, mais uma vez, destacar os principais fatores que interferem no desempenho escolar:



1) FAMÍLIA: Aluno com mãe com ensino primário (fundamental 1) tem 3 vezes melhor desempenho que mãe sem instrução formal (SAEB, 1997/2005)
2) TURNO acima de 5 horas (SAEB)
3) Tempo de GESTÃO de um mesmo diretor escolar (SARESP)
4) NÚMERO DE ALUNOS na escola e redes municipais abaixo de 15 escolas
5) Professor com POUCAS TURMAS (30% agredidos por pais e alunos)

Tipologia de rede social, segundo Cássio Martinho


Dinheiro para saúde, segundo Gilson Carvalho

Artigo de Gilson Carvalho, pediatra especialista em financiamento da saúde compara gastos da saúde pública com gastos dos planos de saúde e gasto mundial:

1. Comparação com o gasto dos planos de saúde em 2010
Os planos de saúde gastaram R$71 bi para atender 45,6 milhões de beneficiários. Ou seja. R$1.560 por beneficiário/ano.
Se o Brasil gastasse os mesmos R$1.560 por habitante/ano com os 191 milhões de brasileiros, precisaria de R$ 298 bi. Como o Brasil só gastou, em 2010, R$138 bi, por esta comparação precisaria de mais R$160 bi.

2. Comparação com o gasto com saúde de outros países em relação ao PIB
O percentual de gasto público com saúde em relação ao produto interno bruto (PIB) tem sido largamente utilizado. O último dado disponível (2008) da Organização Mundial de Saúde é que a média gasta pelos países do mundo com saúde pública é de 5,5% do PIB. O PIB Brasil de 2010 foi de R$3,6 tri. Se aplicarmos a este PIB o percentual de 5,5%, teremos o valor de R$ 198 bi. Como só gastou em 2010 R$138 bi por esta comparação a saúde precisaria de mais R$60 bi.

3. Comparação com o gasto com saúde por habitante de outros países, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (2008)
3.1. Países de maior renda do mundo, em 2008, segundo a OMS gastaram com saúde: US$ 2.589 por habitante; se usado o mesmo valor o Brasil deveria ter gasto em 2010 R$742 e só gastou R$138 bi. Como só gastou em 2010, R$138 bi por esta comparação a saúde precisaria de mais R$604 bi.
3.2. Países da Europa, em 2008, gastaram, em média, com saúde: US$ 1.520 por habitante; se usado o mesmo valor o Brasil deveria ter gasto, em 2010, R$435 bi. Como só gastou em 2010 R$138 bi por esta comparação a saúde precisaria de mais R$297 bi.
3.3. Países das Américas em 2008 gastaram em média com saúde: US$ 1.484 por habitante; se usado o mesmo valor o Brasil deveria ter gasto em 2010 R$425 bi. Como só gastou, em 2010, R$138 bi, por esta comparação a saúde precisaria de mais R$287 bi.


sexta-feira, 23 de setembro de 2011


Matéria elaborada por Gilberto Costa (Agência Brasil) destaca estudo de João Carlos Teatini de Souza Climaco (Diretor da EAD da Capes) que revela que os municípios mais ricos do Brasil apresentam redes de ensino com baixo desempenho educacional. 

Teatini comparou o PIB per capita das 159 maiores cidades brasileiras (de mais de 150 mil moradores) com o desempenho dos estudantes medido pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2005, 2007 e 2009. Percebeu disparidade entre riqueza produzida e desempenho das escolas dos municípios mais ricos. Vários desses municípios mais ricos priorizam investimento em times de futebol, vôlei e basquete. Segundo ele, a disparidade ocorre inclusive entre os municípios beneficiados com a atual distribuição de royalties do petróleo, como é o caso de Campos dos Goytacazes, no norte fluminense, o terceiro município mais rico em PIB per capita do país, mas cuja nota dos anos iniciais do ensino fundamental no último Ideb foi 3,2 – abaixo da média nacional de 4,6.


O estudo reforça o que já parece evidente: 
1) As eleições a cada dois anos impelem os gestores a abandonarem investimentos cujos resultados emergem dois mandatos depois;
2) Nossos gestores transformam-se em gerentes de programas conveniados com governos estaduais e federal (dada a concentração do orçamento pública na União), o que diminui sua capacidade de formulação;
3) O sistema de conselhos de gestão pública não conseguem fazer valer suas avaliações sobre políticas públicas locais, isto quando fazem algum monitoramento efetivo.

Sobre a Comissão da Verdade, segundo Chico Alencar

Análise de Chico Alencar (PSOL-RJ) sobre o acordo para aprovação da Comissão da Verdade:


(...)  o PSOL e a deputada Luiza Erundina vemos insuficiências no texto aprovado, que podem comprometer os trabalhos da Comissão. Nossas 7 emendas – nenhuma incorporada ao projeto, ao contrário das do DEM! – fortaleceriam a Comissão. Elas reduziriam o período de análise das violações de direitos humanos à fase da ditadura militar (da preparação do golpe à Constituição de 88), ampliavam de 7 para 14 os seus componentes, permitiam a prorrogação dos trabalhos para além dos 2 anos previstos, determinavam ampla divulgação do Relatório Final, inclusive com seu encaminhamento ao Ministério Público. Também buscamos, com emenda, garantir total transparência e nenhum sigilo às atividades desenvolvidas pela Comissão, que queremos que seja de VERDADE, MEMÓRIA E JUSTIÇA. A prática efetiva da Comissão, quando constituída, mostrará sua eficácia. A conferir, acompanhar, cobrar. Não há como ter ‘imparcialidade’ frente à prisão ilegal, tortura, morte, desaparecimento de corpos, censura, covardia da repressão do Estado contra a cidadania.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Ode ao rabanete

Hoje foi minha última sessão, de Fabrício Corsaletti

grato aos rabanetes
que resistiram a nove anos de análise
sem perder o sabor
grato a minha analista
que nestes nove anos
revirou meus ideais pelo avesso
mas não questionou minha paixão pelos rabanetes
grato a meu pai
que adora rabanete
e me ensinou a gostar de rabanete
e ainda por cima é feliz
grato aos produtores de rabanete
que mesmo nos períodos em que dei preferência
ao nabo e à erva-doce
jamais deixaram de cultivar
este delicioso rábano de raiz curta e carnosa
grato a Bob Dylan
que compôs uma música perfeita
para ouvir comendo rabanetes
com sal
e bebendo vinho
grato à mari
que comprou os rabanetes
embora seja obcecada por cenouras
grato às vinícolas Trapiche
e Alto Las Hormigas
grato ao dono do mercado
grato aos caminhoneiros
grato à moça da papelaria
que me vendeu o papel e a caneta
com que escrevo estes versos
grato ao mar
de onde vem o sal
grato ao sol
que amanhã virá
para pôr fim a esta longa noite
grato à noite

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A lista da elite parlamentar, segundo o DIAP

Entre os 100 "Cabeças" do Congresso (parlamentares mais influentes), há 62 deputados e 38 senadores. 
Os dois partidos com maior número de parlamentares na elite são o PT, com 27 nomes, detentor de maior bancada na Câmara dos Deputados e o PMDB, segunda maior bancada, com 14. Na terceira posição em número de parlamentares está o PSDB, com 13 nomes.
A lista revela justamente o tripé do sistema partidário brasileiro, sendo que PMDB se distingue pelo peso eleitoral, mas capacidade de formulação muito abaixo de PT e PSDB.

O DIAP destaca que a presença feminina entre os "Cabeças" do Congresso, em termos proporcionais, é inferior à participação da mulher no Legislativo Federal. Enquanto as mulheres representam 15,31% do Congresso (91, sendo 83 deputadas e 8 senadoras), na elite do Congresso (Câmara e Senado) elas correspondem a apenas 9% (cinco deputadas e quatro senadoras).

São as deputadas Alice Portugal (PCdoB-BA), Ana Arraes (PSB-PE), Luiza Erundina (PSB-SP) Manuela D'Ávila (PCdoB-RS), Rose de Freitas (PMDB-ES) e  as senadoras  Kátia Abreu (DEM-TO), Lúcia Vânia (PSDB-GO), Marta Suplicy (PT-SP) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).

Minas Gerais aparece com apenas 4 parlamentares, dois do PT e dois do PSDB. Pelo PT, Gilmar Machado (como formulador) e Odair Cunha (como articulador). Pelo PSDB, Aécio Neves (como articulador) e Paulo Abi-Ackel (como debatedor). Os dois petistas possuem bases eleitorais no extremo sul de MG (sul mineiro e Triângulo Mineiro), revelando uma importante mudança de perfil parlamentar petista neste Estado.

Ainda na região sudeste, Rio de Janeiro aparece com 8 parlamentares: dois do PDT, um do PSOL, um do PMDB, um do PSDB, um do PT, um do DEM e um do PP.
Espírito Santo possui apenas um nesta lista:  Rose de Freitas, produtora rural do PMDB (articuladora).
São Paulo possui 19 parlamentares na lista da elite: oito do PT, apenas três do PSDB (que governa o Estado desde 1994), um do PSB, um do PCdoB, um do PTB, dois do PPS, dois do PDT e um do PV.

Pernambuco aparece com 9 parlamentares: dois do PSDB, dois do PT, um do PDT, um do PSB, um do PMDB, um do PTB e um do PR.