segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Perguntas e Respostas sobre Ensino Superior



PERGUNTAS - PALAVRA CRUZADA


No dia 5 de outubro participei do programa Palavra Cruzada, da Rede Minas, tendo como tema o Ensino Superior brasileiro. O programa enviou, dias depois, perguntas enviadas por telespectadores que não puderam ser apresentadas ao vivo em virtude do tempo de programa.
Estou reproduzindo, abaixo, minhas respostas. Espero ser útil.

PROGRAMA: Educação Superior
DATA: 05/10/2011

Gabriela
Sou fisioterapeuta e tenho muita dificuldade em fazer uma pós, pois não encontro na área de gerontologia. Gostaria de saber se existe.

Rudá: Sei que há estudos na PUC-SP. Sugiro entrar em contato com a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia  (https://www.sbgg.org.br/default.aspx )


Kênia Carmos

O que você acha do chamado ensino à distancia?

Rudá: conceito e legislação se encontra no site do MEC (http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=289&Itemid=356 )

Jorge Augusto Otoni

O que o Brasil precisa fazer para colocar os estudantes em patamar de igualdade com outros paises mais desenvolvidos?

Rudá: elaborar um projeto estratégico em que fique especificada a função e objetivos de cada nível de ensino. Temos que localizar a educação num projeto de país e não como instrução a ser adquirida para se inserir no mercado (o que seria um projeto individual e não de sociedade). De imediato, precisamos redefinir a formação dos professores universitários, principalmente o projeto pedagógico das escolas noturnas, onde parte dos trabalhadores Classe C estão acessando. São trabalhadores que possuem nítidos déficits de formação estudantil. Precisamos ter um projeto adequado, que os auxilie a superar esta lacuna escolar (aulas de português, de leitura e interpretação de textos etc).

Sérgio Dourado

A quantidade de universitários na Coréia do Sul, durante guerra contra a Coréia do Norte, em 1953, girava em torno de 1 para cada 10 sul-coreanos adultos, a mesma que o Brasil. Eles investiram até 20% do PIB somente em educação e hoje têm em torno de 08 adultos universitários para cada 10 pessoas. O que o Brasil pode fazer para seguir esse caminho?
Rudá: há consenso que o Brasil deve investir 10% do PIB em educação. Lembre-se que nosso PIB é superior ao da Coréia.

Lawrence Gomes

O governo, através do poder financeiro, vem quebrando a autonomia das universidades?
Os novos Ifets, as universidades que aderiram ao Pro-Uni e as que mais recebem verbas utilizam o Enem. Será uma coincidência?
E o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) estaria ou não acabando com a regionalidade da universidade?
Comentem, também, sobre as cotas.
Rudá: é justamente isto. Não se trata de ofensa à autonomia, mas de orientação do sistema educacional, uma espécie de liberdade assistida. Em relação às cotas, sou contra porque se trata de um projeto pós-moderno, que não pensa a educação como direito universal. Também não me parece um programa que visa a equidade. A desigualdade está na educação de base que aparta negros e pobres do ingresso e trajetória escolar de brancos e elites. Por que o governo não enfrenta o racismo nas indústrias, utilizando a Lei Afonso Arinos e prendendo empresários? Porque trabalha com um projeto de conciliação de interesses, envolvendo todos segmentos  e classes sociais. E não se faz omeletes sem quebrar os ovos.


Eleusa

Sou socióloga, tenho 47 anos, cinco filhos entre 17 e 24 anos e todos estudaram em escola pública. O programa de ensino é excelente, porém, o que percebi ao longo dos anos, foi a falta de empenho dos profissionais de educação na transmissão do conhecimento. Será que os professores subestimam os jovens, que pensam em se formar em universidades federais?
Rudá: o que os aflige é o que se convencionou denominar de Síndrome de Burnout, ou seja, esgotamento e frustração profundos dos profissionais da educação. Veja pesquisa que coordenei em Ipatinga no site www.constituinteescolar.com.br (clique no link “download” e acesse os dados da pesquisa).


Paulo
Uma pesquisa feita pela Fundação Carlos Chagas apontou que apenas 1% dos jovens querem trabalhar como professores. Isso não influencia na diminuição de profissionais interessados?
Rudá: Exato. Infelizmente, os estudantes com piores expectativas profissionais e desempenho escolar são os que estão elegendo o magistério como carreira.

Lucimara

Ouvi no programa que o ensino médio está melhorando e já incluí matérias como sociologia e filosofia. Mas, ao mesmo tempo, tira o inglês e deixa a educação física que, acredito eu, não acrescenta em nada, ainda mais para o Enem. Não entendi essa escolha.
Rudá: Não, o ensino médio não está melhorando. Pelo contrário: o MEC já realizou dois grandes seminários nos últimos dois anos sobre justamente o que denomina crise do ensino médio. Veja matéria a respeito: http://www.amazonas24horas.com/MEC-diz-que-ha-crise-no-ensino-medio.html

Antônio Gabriel

Muitas vezes o professor não consegue avaliar um aluno por não conhecê-lo. Como fica essa questão?
Rudá: O primeiro problema é que o professor, normalmente, nem conhece os vários instrumentos de avaliação e seus objetivos específicos (portfólio, autoavaliação, observação e registro, prova operatório, prova objetiva). A situação piora quando não tem tempo nem mesmo de realizar uma avaliação inicial, denominada diagnóstica, de seus alunos. Começa precariamente, não compreende as dificuldades individuais e acaba massificando as aulas e avaliações.

Silvia

Vocês conhecem a Universidade de Viçosa, que é considerada a melhor de Minas e a terceira do país.
Rudá: Conheço. A questão é: melhor em relação a que critérios? Viçosa é focada na formação produtivista, de mercado e só marginalmente desenvolve projetos de desenvolvimento sustentável.

Heitor Noronha Neto

O que acham da abertura de cursos de medicina, sem laboratórios ou hospitais para os alunos praticarem?
Rudá: sua pergunta é uma resposta, não?

Jésus

Como está a efetivação dos direitos de educação de jovens e adultos?
Vocês poderiam sugerir alguma bibliografia sobre a história da educação de jovens e adultos no Brasil?

Silvia Fernandes

Foi aberto, em 2008, o curso de música na UFJS, que tem pouca procura de candidatos. Na mesma região existem outros dois cursos iguais, em instituições públicas.  Você não acha que esse é um exemplo de mau uso de dinheiro público?
Rudá: Não. Nem sempre temos que nos fiar em critérios de mercado (oferta e procura) na área educacional. Novamente diz respeito a um projeto de país. Se fosse assim, eu dificilmente seria sociólogo, curso com procura muito inferior a medicina, engenharia, direito, entre outros.

Heitor Noronha Neto

Vocês acreditam que alguns cursos serão desvalorizados, como o de jornalismo, que não precisa curso de superior para se registrar como profissional?
Rudá: O mercado de trabalho, hoje, é profundamente dinâmico. Imaginávamos, em meados dos anos 1990, que o curso de contabilidade seria extinto (90% dos profissionais da área que foram demitidos naquele momento, nos EUA, nunca retornaram aos seus postos). E não acabou. O que ocorre é fusão, em busca da polivalência (juntando contabilidade com planejamento, por exemplo).

Junio Louback

Conversando com amigo, que fez curso de cabeleireiro e tem um salão há 15 anos, percebi que eu, que sou graduado, recebo três vezes menos que ele. A que posso atribuir a essa diferença de rentabilidade?
Rudá: Que mercado não se relaciona, em nosso país, com nível de instrução escolar formal. Perceba: o Brasil exporta commodities, de baixo valor agregado. Assim, os trabalhadores mais procurados não são os com maior nível de escolaridade, pois o trabalho não exige esta formação. Os salários que mais aumentaram de valor, nos últimos cinco anos em nosso país, são os de profissionais semi-qualificados e não os de doutores e pós-graduados. Infelizmente, a grande imprensa repercute as posições das empresas-líderes, de alta tecnologia. Mas elas não são a maioria, são a exceção no nosso mercado. Veja as ofertas de emprego divulgadas pelo SINE.

Edivaldo Pereira dos Santos

Por que os cursos técnicos não são valorizados no país, uma vez que os alunos saem mais preparados do que em muitos cursos de graduação?
Rudá: Visão elitista e pouco focada na realidade concreta. Porque é a universidade (um mercado de trabalho específico, fechado em si) que define o que é valorizado em termos profissionais.

Sérgio Dourado

Como o convidado vê o financiamento público do ensino superior através do Fies já que, ao final do curso, o aluno adquire uma dívida enorme com o próprio governo?
Rudá: Teríamos condições de ter uma política agressiva de financiamento público do ensino superior. Mas a opção do país é outra. O governo federal abdicou de disputar ideologicamente as políticas de Estado. Prefere ser mediano, ser popular.

Rafael Pinheiro

Vocês concordam que a abertura de cursos no interior deveria ser feita com um maior planejamento, de forma a explorar as potencialidades regionais?
Rudá: Sim. O interessante é que isto ocorre a posteriori. Com as avaliações rigorosas das comissões técnicas do MEC, os cursos são fechados ou recebem notas muito baixas, que obstaculizam de acessarem recursos públicos para investimento.

João Faustino

Conheço um bom livro sobre educação em família chamado “Pais difíceis e filhos impossíveis”.  A dificuldade dos pais em ajudar seus filhos e dos professores em ensinar seus alunos tem como resultado estudantes analfabetos e péssimas escolas.
Rudá: O tempo de convívio familiar está decaindo. O mercado de trabalho rouba o tempo familiar. Em cidades grandes, o tempo de convívio familiar de pais que possuem filhos acima de 15 anos de idade é de apenas 1h30 por dia.

Jésus

A educação deixou de ser um direito e virou mera mercadoria do capitalismo, com o monopólio da educação e a entrada do capital estrangeiro?
Em 2009, 4,5 milhões de jovens se inscreveram para as provas do Enem e disputaram pouco mais de 300 mil vagas. Isso quer dizer que 4,2 milhões de jovens ficaram de fora das universidades federais por falta de vagas. Como resolver este problema?
Rudá: Exatamente. Esta é a realidade da educação brasileira. Apresento o funil a seguir:



Guilherme Melgaço

Percebo que, no país, a educação básica não tem qualidade. Um dos grandes problemas é a falta de profissionais. Os professores de hoje são, geralmente, alunos que tiveram dificuldades durante o aprendizado, que tiveram notas baixas no decorrer da vida escolar ou que pararam de estudar por algum motivo. A falta de incentivo afasta os jovens que tem desejo de lecionar. Gostaria de saber a opinião de vocês sobre isso.
Rudá: é fato.

Sérgio

Ter títulos de doutor e mestre é garantia de bom ensino?
Rudá: Não. Há doutores que nunca deram aula. O título acadêmico não é concedido pelas habilidades de um educador. Ao contrário: avaliam-se as habilidades de pesquisador, de investigador.

Rose

Houve, em Minas, uma greve de professores de 112 dias e o governo não quis pagar nem o piso salarial. Como pensar em uma educação superior de alto nível com uma educação básica desvalorizada pelo próprio governo?
Rudá: Não é possível um projeto educacional quando o piso da categoria é justamente o que um servente de pedreiro recebe nas obras de Eike Batista (1.200 reais mensais).

Sirlene

Sou aluna do EJA e tenho um filho no ensino médio. Percebo que os professores não têm interesse em ensinar, eles não se importam com os alunos. Eu tenho apenas dois que querem nos preparar para o vestibular. Não estão preparados para dar aula, estão enrolando dentro de sala de aula.
Rudá: Temos que ser mais rigorosos. Eu penso que seria o caso de entrarmos com ação junto ao Ministério Público contra o serviço oferecido pelo Estado.

Luiza

O PT vai transformar as universidades brasileiras em supletivo de segundo grau, no país da ignorância desmedida?
Rudá: Se fosse só o PT.... O PSDB faz o mesmo (veja a UEMG). E outros partidos também. Não dá para partidarizar este debate.

Adelson Dias

Fiz o segundo grau há algum tempo. Sou obrigado a fazer o Enem para entrar em uma universidade pública?
Rudá: O ENEM é optativo. Em algumas universidades, como a UFMG, é o exame que substitui a primeira etapa do processo de seleção (neste caso, torna-se obrigatório).

Fernando

Vejo o desrespeito das faculdades particulares com os alunos. Eles falam que darão material de aula, que é cobrado na mensalidade, mas não entregam. Na minha faculdade os alunos estão combinando de tirar a pior nota na avaliação do curso.
Rudá: Se é faculdade particular, basta denunciar no Procon. Eles não estão cumprindo o código do consumidor.

Lúcia Prates

Voltei hoje do exterior e percebi que as pessoas que saem do Brasil para estudar nos Estados Unidos são melhores que os próprios americanos.
Rudá: Exatamente. Nosso ensino básico é melhor que o dos EUA. E poucos falam sobre isto. Anos atrás, o governo norte-americano fez um estudo sobre este problema que resultou num documento intitulado “Uma Nação em Risco”. Que tal? Veja documento: http://redalyc.uaemex.mx/redalyc/pdf/1935/193514385004.pdf

Armando Anjos

Você não acha que o Enem está se transformando em um novo vestibular? E, se sim, ele pode se tornar obsoleto rapidamente?
Rudá: Sim, infelizmente. Era uma proposta das mais inovadoras e fundamentadas, quando criado pelo Nilson José Machado, matemática e ex-coordenador do curso de pós-graduação em educação da USP. O problema é quando se pensa em massificar a educação, sem muito critério (ou com critérios meramente administrativistas).

A (falta?) de política de cultura do Rio de Janeiro


Mensagem de Luiz Mario Behnken, do Fórum Popular do Orçamento do Rio de Janeiro:



Vivemos num tempo em que é possível destruir o Maracanã, símbolo maior da cultura popular do futebol, e destinar dinheiro público (R$12 milhões) para um festival privado de rock (Rock in Rio). Por outro lado, o Rio não dispõe de um conselho de cultura com participação da sociedade na definição das diretrizes culturais carioca. Talvez por isso essa cidade tenha sido capaz de erguer a ex-futura Cidade da Música por inaveriguáveis R$500 milhões!No final da década de 1990 o genial Augusto Boal implorava por um patrocínio ao espetáculo “O Suicídio do Artista” (texto mais abaixo) e vaticinava: a cultura morreu!Você está convidado para o debate:A Morte da Cultura que ocorrerá no dia 10 de novembro, quinta-feira, às 18h30;No auditório do Corecon-RJ (Av. Rio Branco 109 – 19º andar, Centro).Com a seguinte programação:
Ø     Apresentação dos dados orçamentários referentes às questões culturais;
Ø     Debate com:
      1.  O Dr. Maurício Andreiuolo, Procurador da República na área de meio ambiente e patrimônio cultural;
      2.  A Profª. Claudete Félix, curinga do Centro de Teatro do Oprimido;
      3. O Economista Felipe Ribeiro, FUNARTE;
      4.O Conselheiro Paulo Passarinho, mediador.

Ø     Debate livre.O acesso é livre, gratuito e sem necessidade de inscrição.

Até lá,Equipe FPO-RJ

O Suicídio do Artista
Augusto Boal
- “Graças a V. Exa., podemos agora escolher nossos artistas!” – disse ao Ministro da Cultura um empresário feliz, em pública reunião, faz dois ou três anos, agradecendo-lhe a privatização da cultura.
Tempos atrás, cabia ao Ministério e às Secretarias, com quase exclusividade, o patrocínio das artes. Hoje, vai-se de porta em porta, pires, pratos de sopa ou cornucópias na mão! – o tamanho de recipiente depende da intimidade que se tenha com o poder. Para as empresas, alegremente autorizadas a usar dinheiro de impostos na estética publicidade dos seus produtos, foi grande negócio. Para os artistas, creio que não: dou meu singelo testemunho.
No ano passado, graças ao CCBB, dirigi uma experiência teatral de certa magnitude, a SambÓpera CARMEN, na qual se respeitavam as melodias de Bizet casadas com nossos ritmos.
Sucesso extraordinário. Tanto, que o New York Times publicou tremenda reportagem recheada de fotos do espetáculo que, para o jornal, não tinha equivalente em mais de cem anos de vida dessa ópera – agradável exagero! O diretor do Festival Paris-Quartier d´Été acudiu correndo, e convidou CARMEN para se apresentar no coração de Paris, no Palais Royal, teatro de mil lugares, cercado pelo Louvre e pela Commedie Française, em julho passado.
CARMEN é, por excelência, a ópera nacional francesa: sua versão sambística, em Festival tão prestigioso, causou espanto e admiração. Felizes, resolvemos reincidir e preparamos outra SambÓpera: Verdi, LA TRAVIATA, homenagem ao quarto centenário do gênero Ópera que nasceu com a famosa EURÍDICE de Peri-Rinuccini, composta para celebrar o casamento do Rei Henrique IV com Maria de Médicis.
Maiores atrativos publicitários, impossível: samba, ópera, Verdi, Bizet, Times, Paris, Festival... Estávamos certos de que os empresários fariam fila à nossa porta, gritando ofertas como se estivessem em pregão da Bolsa de Hong-Kong.
Não estavam... Fomos à cata da produção com cinqüenta cópias do nosso Projeto, CDs e partituras. A maioria das empresas consultadas já disse que o projeto é belíssimo: “Você, Boal, sempre inventando, heim?... porém... não combina com os nossos produtos.” Os comerciantes querem vender: nada mais lógico. Loucura nossa pensar que uma heroína-prostituta, que morre tuberculosa no quarto ato, fosse capaz de vender espaguete ou pertences de feijoada, por exemplo. Deveríamos, talvez, ter procurado um fabricante de penicilina ou pneumotórax: erro nosso!
Diante da ameaça de novas e contundentes recusas, pensei que, se não são mais os artistas que determinam seus próprios caminhos e sim os empresários - a quem devemos respeitosamente ajudar a vender suas mercadorias! - mais cedo do que se pensa, nossa arte, já razoavelmente moribunda, estará à beira do falecimento total e definitivo, em cova rasa.
Como denunciar essa morte silenciosa? Pois que de outra coisa não se trata, se não de morte, o fato de se deixarem artistas sem patrocínio. De que serviria Van Gogh sem pincéis e tintas? Beethoven e Mozart sem piano ou cravo? Embora eu não saiba tocar nenhum instrumento musical, por mais reles reco-reco que seja, nem tenha intimidades cromáticas com pincéis e tintas, pensei em suicídio. O Suicídio do Artista Sem Patrocínio!
O exemplo me veio do Vietnã: monges se matavam afim de atraírem a atenção do mundo sobre a guerra iníqua. Conhecendo as necessidades da propaganda, não morriam confortáveis em suas camas, solitários, ou bebendo cicuta em canudinho, como Sócrates, entre bons amigos: eram espetaculares e, em praça pública, ateavam-se fogo às vestes, diante de flashes e câmeras de TV.
Pensei que o Suicídio do Artista Sem Patrocínio deveria seguir as mesmas normas de teatralidade daqueles religiosos. No Brasil, porém, as pessoas andam tão atarefadas, completando seus magros salários correndo de um emprego a outro, que um homem, esturricando-se ao sol do meio dia, no Largo da Carioca, talvez não atraísse o público desejado; talvez não desse Ibope. Imaginei, então, uma orquestra modesta que atraísse transeuntes para perto do suicida: eu, é claro, porque nenhum dos meus colegas - sempre tão solidários e mesmo achando a idéia ótima! - aceitou o sacrifício, por mais que eu insistisse. Deviam ter lá suas razões.
Sendo a música de boa qualidade - como é, no nosso caso! – talvez corrêssemos o risco inverso, atraindo demasiada platéia: seria então necessário construir uma plataforma sólida para o incendiado, e arquibancadas à prova de fogo para os ávidos espectadores.
Labaredas são mais atraentes e coloridas em silenciosa noite escura do que ao sol gritante. Portanto, nosso espetáculo pirotécnico deveria ser realizado depois do anoitecer, o que nos obrigaria à instalação de, pelo menos, 20 ou 30 refletores.
Para gerir esse belo espetáculo incendiário, necessitaríamos maquinistas, eletricistas, e teríamos que contratar uma boa agência de promoções, imprimir convites e um programa explicativo da filosofia do evento – pois que a tinha! - em bom papel de seda, etc. Sobretudo, fazia-nos falta um excelente produtor.  Isso não se faz sem dinheiro.
Recorremos então aos Captadores de Recursos, profissão inventada pela atual Lei de Incentivo à Cultura, como contribuição ao combate ao desemprego: são especialistas encarregados de fazerem as empresas soltarem a grana.
Até hoje nenhum Captador respondeu, sequer, à nossa demanda. O maravilhoso e emocionante espetáculo do Suicídio do Artista Sem Patrocínio fica, assim, adiado sine die... por falta de patrocínio. Talvez para logo depois da silenciosa e recatada Morte da Arte e da Cultura.
Pede-se não mandar flores.
Se, porém, sua vontade de prestar esta última homenagem fúnebre à nossa cultura em coma for irresistível, sugere-se o envio de doações, ajudas, subvenções, etc., ou simples palavras de afeto, a algum jovem grupo de artistas cênicos ou plásticos, que saberão explicar porque escolheram dedicar suas vidas à arte e à cultura, ao invés de atividades mais lucrativas como os leilões e a Bolsa, nesta época em que o Lucro e o Deus-Mercado são a mais recente encarnação do bezerro dourado.

Marcelo Freixo e o auto exílio


O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) decidiu se afastar da exposição pública durante o mês de novembro, cancelando sua agenda de debates e eventos. Freixo é o deputado que inspirou o parlamentar combativo do filme 
Tropa de Elite 2. Na terça-feira passada, o parlamentar divulgou que o Disque-Denúncia recebeu uma informação de que uma milícia de Campo Grande está planejando um atentado contra ele e o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame. A ação ocorreria ainda durante a semana. A assessoria de imprensa da secretaria disse desconhecer a denúncia, mas Freixo passou a receber moções de solidariedade da ABI, Coletivo RJ Memória, Verdade e Justiça e Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal. 
Na verdade, o caso estimulou um verdadeiro tiroteio político. Alguns adversários de Freixo chegaram a afirmar que se trata de jogo de marketing pessoal, o que obrigou o deputado a divulgar as notas de apoio das entidades que cito acima.
Pelo twitter, André Trigueiro, da Globo News, perguntou ao deputado qual seria, de fato, a crítica que estaria fazendo aos órgãos de segurança do Estado. A resposta de Marcelo Freixo foi dada em duas notas, pelo twitter:

 sobre as ameaças, nunca recebi retorno das providencias tomadas. Esse não é um problema meu, não é particular.
 só as prisões não resolvem, milícia é máfia. CPI tem 58 propostas, poucas saíram do papel. Tem q tirar o poder econ e territorial


Inferno astral dos tucanos mineiros (2)

Da Folha.com:


Minas faz mais convênios em ano eleito

PAULO PEIXOTO
DE BELO HORIZONTE
Relatório técnico da Justiça Eleitoral de Minas mostra que, desde 2006, ocorreu um aumento no número de convênios assinados entre governo estadual e prefeituras nos anos em que houve eleição.
O governo atual, contudo, ressalta que a legislação eleitoral tem sido respeitada.
Em 2006, ano em que o hoje senador Aécio Neves (PSDB) foi reeleito governador mineiro, foram assinados 4.359 convênios. No ano seguinte, em que não houve eleição, foram 2.887 (-34%).
O número de acordos voltou a subir com força em 2008, ano de eleições municipais. Já em 2009, o total de repasses recuou novamente.
Na eleição do ano passado, quando o tucano Antonio Anastasia foi reeleito governador do Estado, os convênios cresceram 26,8%, atingindo a marca de 4.764.
O relatório é parte de um processo de investigação na Justiça Eleitoral pedido pelo ex-ministro Hélio Costa (PMDB), candidato derrotado ao governo em 2010.
Costa acusa Anastasia de abuso de poder econômico e político, o que o governador de Minas nega.
Do total de convênios firmados em 2010, 75% foram assinados entre 1º de junho e 2 de julho, data limite fixada pela legislação eleitoral para a assinatura de convênios em anos de eleição.
Os valores transferidos pelo Estado para as prefeituras em 2010 tiveram um aumento de 170% em relação aos repasses do ano anterior, alcançando R$ 954 milhões.
Folha comparou os montantes repassados com a receita total do Estado.
Nos anos de disputa eleitoral, o peso dos repasses na arrecadação aumenta.
A Justiça, porém, observa que não houve desrespeito aos prazos fixados pela lei.
"Verificou-se que, nas datas compreendidas entre 03/07 a 03/10/2010, nenhum novo convênio foi firmado", diz o texto.
Os técnicos do TRE registraram que os R$ 38,5 milhões transferidos nesse período "já constavam dos cronogramas dos convênios ou termos aditivos firmados e publicados antes do período".
Por esse motivo, não fizeram nenhum questionamento sobre essas transferências, especificamente. No entanto, mesmo quando esses recursos não são computados, nota-se aumento no volume total de repasses no ano.
Os dados que permitiram ao setor técnico da Justiça fazer o relatório foram colhidos no Siafi-MG (Sistema Integrado de Administração Financeira do Estado). O desembargador Brandão Teixeira, relator do processo, determinou o acesso ao sistema.
O relator do processo enviará os dados para análise da Procuradoria Eleitoral. Depois, emitirá seu parecer.

domingo, 30 de outubro de 2011

De virada e com bandeira com Lula


Rede Social

Somente agora consegui assistir o filme (de 2010) sobre a fundação do Facebook. Mark Zuckerberg aparece como uma espécie de herói-vilão, como várias críticas já apontaram. E Eduardo Saverin como um garoto gente boa.
Conheci uma pessoa, tempos atrás, que lembrava a ambição de Zuckerberg. Contudo, aliava os maiores defeitos de todos personagens do filme: ambição desmedida, falta de criatividade, inveja, tentativa de roubar ideias de outros para se promover, autismo social. Não conseguiu, obviamente, ultrapassar a linha da relação entre pessoas e animais, início dos jogos de Mark Zuckerberg.
O filme sugere o momento histórico que vivemos onde uma boa ideia (nascida da dor de cotovelo misturada com álcool), algum recurso (de outros) e muita ambição (sem nenhum escrúpulo moral) transformam um marginal social em milionário. Pior: onde qualquer emergente se torna centro das atrações para galgar fama ou conferir benefício a um tiete de momento.
O que transforma muita rede social numa corrida pelo sucesso e exibicionismo a qualquer custo.

sábado, 29 de outubro de 2011

Inferno astral do PSDB

Da UOL:


A corte do TRE-MG (Tribunal Regional Eleitoral) de Minas Gerais desaprovou na sessão da última quinta-feira (27) as contas de 2007 do diretório estadual do PSDB mineiro. Com a decisão, por unanimidade, o partido ficará ao menos dois meses sem receber repasses do fundo partidário.
A juíza Luciana Nepomuceno, relatora do caso, disse ter havido "irregularidades insanáveis" nas contas dos tucanos de Minas. São elas: utilização de recursos de origem não identificada (R$ 75,6 mil) e aplicação irregular dos recursos do fundo partidário (R$ 53,2 mil, de um total recebido de R$ 435,6 mil).
A Procuradoria Regional Eleitoral também havia se manifestado pela desaprovação das contas, considerando ter havido "irregularidades graves".
Ao considerar que o partido não comprovou a regularidade da utilização do recurso do fundo partidário, a magistrada acrescentou: "Não bastasse a gravidade de tal violação, ao não esclarecer a origem de R$ 75.600, o partido desrespeitou ainda a lei que estabelece que o partido político, por meio de seus órgãos nacionais, regionais e municipais, deve manter escrituração contábil, de forma a permitir o conhecimento da origem de suas receitas e a destinação de suas despesas".
Segundo o TRE-MG, a decisão da juíza determina que, após o trânsito em julgado, haverá a suspensão do repasse de quotas do fundo partidário até que seja esclarecida a origem dos recursos. O PSDB terá ainda 60 dias para ªrecolher ao erário o valor utilizado de maneira irregular do fundo partidárioº e ainda o valor com origem não identificada na prestação de contas partidária.
Na semana passada, a Justiça Eleitoral em Minas desaprovou as contas de 2008 do diretório estadual do PC do B, que terá os repasses do fundo partidário suspensos por pelo menos 12 meses, até que seja comprovado a origem dos recursos recebidos de origem não identificada (R$ 65,6 mil, valor que o partido também terá que recolher ao erário público).
OUTRO LADO
Presidente do PSDB-MG desde o começo deste ano, o deputado federal Marcus Pestana disse que essas questões são "corriqueiras na vida dos partidos" e que eles precisam sempre "profissionalizar e modernizar" suas gestões e contas. Ele disse que o partido vai recorrer ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para esclarecer as questões que, ao contrário dos argumentos da Justiça, não as considera graves.
Embora não fosse o presidente no ano das irregularidades apontadas, Pestana disse que a questão dos R$ 75 mil tem relação com a documentação das empresas doadoras, que estão tentando regularizar. Quanto ao recurso do fundo partidário, disse que o TRE não considera alguns gastos com recursos do fundo partidário e que isso também será esclarecido.

Especulações sobre o impacto político do adoecimento de Lula

O que chama atenção, num primeiro momento, é a decisão de divulgar imediatamente seu tumor. Foi movimento inverso da tomada por François Mitterrand, em 1981. Mitterand tinha acabado de se eleger Presidente e tinha como referência a morte de Georges Pompidou, que tinha falecido em 1974 vitimado por um câncer linfático. Mitterrand escondeu de todos seu tumor e divulgou boletins médicos falsos. Em 1992 não conseguiu mais esconder ao ser submetido a uma intervenção cirúrgica. Faleceu em 1996.
A decisão de divulgar gera, do ponto de vista político, um fato que pode ser explorado a ponto de criar uma comoção. Não há, obviamente, nenhuma sinalização nesta direção.
O que se tem de informação é que o tratamento quimioterápico a que Lula será submetido durará 60 dias. Se evoluir positivamente como ocorreu com a então candidata Dilma Rousseff, haverá baixo ou nenhum impacto sobre as eleições do próximo ano.
Se perdurar o tratamento, Lula terá um papel menor na gestão política da campanha petista em São Paulo e Minas Gerais (dois Estados prioritários na avaliação do ex-Presidente), mas criará, como já afirmei, comoção, ou seja, um fato político novo e irracional.


Lula está com tumor na laringe


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou exames neste sábado (29) no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, tendo sido diagnosticado um tumor localizado de laringe.
Segundo o hospital, após avaliação multidisciplinar, foi definido tratamento inicial com quimioterapia, que será iniciado nos próximos dias.
"O paciente encontra-se bem e deverá realizar o tratamento em caráter ambulatorial", diz nota do Sírio-Libanês. Segundo o ator José de Abreu, descobriu um nódulo na região da laringe e resolveu tirar um pedaço para fazer biópsia. Estão fazendo. Descoberto sem manifestação, ótimo!

Esta notícia altera em tudo o panorama eleitoral de 2014.

O fim melancólico do DEM

Ricardo Noblat divulgou que ACM Neto está negociando com Geddel Vieira Lima o seu ingresso no PMDB. As conversas andam céleres, mas Neto só dará bye-bye ao DEM depois de deixar a liderança do partido, no início de 2012. Não quer perder a visibilidade que o cargo lhe confere.
A oposição não vive seus melhores dias. O Estadão divulgou as críticas que o senador Aloysio Nunes Ferreira fez ao seu partido, o PSDB, pelo twitter. Aloysio criticou a desorganização e falta de agenda política dos tucanos. Disse mais: que se a oposição não reagir não terá chance alguma em 2014. E divulgou que a Executiva Nacional eleita em maio não se reuniu até o momento. Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB, reagiu e afirmou que o partido passa por uma ampla reestruturação. E garantiu que a Executiva Nacional já se reuniu duas vezes.
Está bom ou quer mais?

Minas Gerais sem transparência

Sem Aécio no governo, a realidade do governo estadual mineiro se altera drasticamente aos olhos dos formadores de opinião. Muito se denunciou a censura que rondava as editorias dos jornais do Estado. Coincidência ou não, desde o início deste ano respira-se um ar mais crítico na pauta dos jornais mineiros.
Veja esta matéria divulgada pelo jornal O Tempo:






Minas Gerais foi um dos Estados mais mal avaliados do Brasil em relação à transparência dos gastos públicos por pesquisadores do Centro de Estudos da Opinião Pública da Unicamp. A falta de controle sobre a alocação dos recursos pela administração estadual foi um dos oito critérios analisados no levantamento divulgado anteontem - realizado a pedido do Instituto Ethos -, que colocou o governo mineiro entre os mais suscetíveis à corrupção no país, ao lado de Maranhão e Pará. Um exemplo visível da falta de transparência é o gasto dos governos com publicidade. Quando o critério é a divulgação de informações sobre os valores executados, Minas se une a Piauí, Roraima e novamente Distrito Federal entre os Estados cuja transparência é "insatisfatória". A pior avaliação geral foi a do Amapá, que divulga somente uma parte das informações sobre a execução orçamentária.

Divulgação. Dos R$ 70 milhões reservados para publicidade do governo de Minas em 2011, foram investidos, até o início desse mês, R$ 53 milhões. Apesar dos grandes valores movimentados, é difícil saber como a verba foi utilizada, pois a informação não está disponível no Portal da Transparência do Estado.

William Waack: o feitiço contra o feiticeiro



A história divulgada pelo Wilileaks envolvendo o jornalista da Globo. William Waack, como informante do governo americano no Brasil parece ficção ou teoria conspiratória. Mas os dados divulgados são precisos. A visita de um porta-aviões americano em 2008 e sua repercussão no Brasil, assim como pontos positivos nas relações entre os dois países são assuntos tratados em um documento em que Waack é considerado colaborador dos EUA. Outros dois documentos tratam de comentários de Waack sobre as eleições de 2010.
Segundo os documentos divulgados, no dia 13 de fevereiro de 2010, um despacho classificado como confidencial foi enviado da Embaixada dos Estados Unidos, em Brasília, para o Departamento de Estado, em Washington. O memorando relata conversas de diplomatas americanos com dois dos mais experientes e bem colocados jornalistas brasileiros: William Waack, editor do Jornal da Globo, e Hélio Gurovitz, diretor de redação da revista Época.  Waack teria, segundo relatado do memorando, informado que o então candidato Ciro Gomes seria o candidato mais forte. Aécio Neves, o mais carismático. Serra, sem graça, mas competente. E sobre Dilma Rousseff? “A menos coerente”, disse Waack a seus interlocutores norte-americanos. Hélio Gurovitz, que passou pela Folha de S. Paulo e pela Exame, antes de chegar à Época, levado por Paulo Nogueira, também foi ouvido pelos americanos. Disse ele que o Brasil tinha uma sociedade parecida com a chilena e que o País estava pronto para alternar os partidos no poder. Ou seja: depois de oito anos de Lula e PT, seria possível voltar aos braços do PSDB. E o Chile havia acabado de eleger o conservador Sebastian Piñera, encerrando o ciclo de esquerda, dos partidos da chamada Concertación.
O informe JB obteve a confirmação do Wilileaks sobre os documentos citados. Waak teria sido citado três vezes em situações semelhantes, oferecendo informes e avaliações ao governo norte-americano sobre a política nacional. Dois desses documentos estariam classificados como confidenciais.  Veja a nota do JB postada no twitter:










sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Confronto de estudantes da USP com a polícia

Não vejo com bons olhos a maneira como a polícia está sendo convocada por diversas reitorias para resolver problemas corriqueiros da universidade. Não se trata de caso isolado. Começou com a proibição, em diversas universidades brasileiras (como a PUC-Minas) de shows ou festas no interior do campus. Não se constrói atitude solidária, criativa e respeitosa na base da pressão e repressão. Muito menos em instituições educacionais. Repito, é fato recente, que revela despreparo do corpo dirigente das universidades. Estão vestindo o figurino de gestores e despindo o de educadores.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Aldo e Ricardo Teixeira: colisão ou coalizão à vista?



Recordando:


1) Aldo Rebelo foi o Presidente da CPI da Nike que listou onze crimes envolvendo Ricardo Teixeira;
2) Aldo Rebelo enfrentou o esquema de Eurico Miranda que liderava a denominada Bancada da Bola;
3) Por outro lado, o novo ministro do Esporte recebeu doações de campanha de empresas patrocinadoras da Confederação Brasileira de Futebol. No último período se aproximou de Ricardo Teixeira sendo um de seus interlocutores no Congresso;
4) O blog Brasil, Urgente revela que, segundo informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a prestação de contas de Aldo nas eleições do ano passado indica que ele recebeu doações do banco Itaú (R$ 50 mil), R$ 25 mil da Fratelli Vita Bebidas, que pertence à Ambev e R$ 80 mil da Companhia Brasileira de Distribuição, que controla o Grupo Pão de Açúcar;
5) O deputado recebeu ainda dinheiro de empreiteiras envolvidas na construção de estádios para a Copa do Mundo de 2014. No ano passado, a Mendes Júnior doou R$ 100 mil a Aldo. A construtora participa das obras em Cuiabá. Em 2006, o deputado comunista recebeu R$ 40 mil de uma empresa do grupo Odebrecht, que está a frente de obras em quatro dos doze estádios do evento. Ele recebeu ainda R$ 200 mil em 2010 e outros R$ 250 mil em 2006 da construtora Camargo Corrêa, que não participa, porém, da construção de estádios;
6) A reconquista de financiadores de campanha é uma busca incessante do novo ministro. As declarações de bens do deputado mostram que ele teria perdido quase a metade do seu patrimônio entre 2006 e 2010;
7) Por diversas vezes, Aldo Rebelo explicitou suas divergências com as exigências da FIFA em relação à realização da Copa do Mundo no Brasil;
8) Contudo, hoje à tarde afirmou que vai defender a posição do Governo em relação à Lei Geral da Copa, que se encontra em Comissão Especial da Câmara criada especialmente para a análise e a aprovação do projeto na Casa. Apesar de ser a favor da meia-entrada para estudantes, ele afirmou que tem um compromisso com os interesses do Governo e vai defender “o que consta no texto já enviado ao Congresso”.

Orlando Silva anuncia Aldo Rebelo como novo ministro


Mensagem de Orlando Silva para Aldo Rebelo postada no twitter, hoje, às 8h30:
"Bom dia @aldorebelo! Deus ilumine teus caminhos. Bom trabalho"
A questão que fica, agora, é o impacto que esta queda de Orlando Silva terá sobre o processo eleitoral de 2012. Lembremos que o crescimento de vereadores e prefeitos do PCdoB se inicia em 2004, quando Aldo Rebelo se tornou ministro, e se manteve nos anos seguintes em que Aldo foi presidente da Câmara Federal.

Convite de Chico Whitaker

Coalizão Brasileira contra Usinas Nucleares
Lançamento dia 29 de outubro, às 14 horas, no Fórum Social de São Paulo 

O Forum (forumsocialsp@org.br) se realiza na Faculdade Zumbi dos Palmares:  Av. Santos Dumont, 843, próximo do Metrô Armênia (entrada pelo Clube Tietê, perto da Ponte das Bandeiras) 
O ato se realiza na sala n.7 (1º. andar, logo ao sair da escada) 
Nele se iniciará também a coleta de assinaturas para uma Iniciativa Popular de proposta de Emenda Constitucional 
Não deixe de vir. Precisamos defender o Brasil da loucura nuclear (www.brasilcontrausinanuclear.com.br)

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Aperitivo do seminário O Lugar de Minas

Orlando Silva caiu

Noticiamos aqui, com muita antecedência. O PCdoB já negociou com Dilma Rousseff o substituto de Orlando Silva. Como já postamos, são 3 nomes citados: os deputados Aldo Rebelo (PC do B-SP) e Luciana Santos (PC do B-PE) e Flávio Dino (PC do B-MA).

O livro de Zé Dirceu e o projeto de 1987

Logo na introdução do livro Tempos de Planície, Zé Dirceu destaca o que teria sido uma inflexão positiva da estratégia do PT em 1987. Nas suas palavras:
Não estamos falando de pouca coisa. As raízes desse ideal estão no encontro do PT em 1987, quando uma nova compreensão do papel do partido passou a vicejar. Após debates intensos, com a participação das mais diversas correntes de pensamento, chegamos ao entendimento de que a concepção fundadora do partido - a de que somente se conseguiria mudar o país de uma difusa rebelião popular - deveria evoluir para um novo paradigma político: as transformações estruturais deveriam ser concebidas dentro de uma estratégia que combinasse lutas sociais, conquistas eleitorais e construção de novos modelos para a gestão pública.

Ok. Mas à luz dos fatos, o que esta inflexão combinou, realmente, lutas sociais e construção de novos modelos de gestão pública com conquistas eleitorais ou apenas a vitória eleitoral?
Seria uma mera retórica para público interno ler ou sonho de um dia de verão?

ONGs e a ausência


ONGs e grana federal


O governo Dilma Rousseff prepara decreto para suspender por um mês todos os repasses de recursos federais para convênios com organizações não governamentais. Nesses 30 dias os ministros terão de rever todos os atos assinados pelas pastas e ratificar os convênios em curso.
Somente em 2010, as ongs conveniadas receberam R$ 3.500.000.000,00 (três bilhões e quinhentos milhões de reais) sendo R$800.000.000,00 para somente 15 ongs.