quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Lulismo, segundo Tales Ab´Saber

Alimentada minha curiosidade a partir de uma mensagem enviada pelo Maurício David (além da lista de vinhos que me fará em breve ser um alcoólatra bem informado) em que adicionava uma entrevista de Tales Ab´Saber, comprei o livro Lulismo, carisma pop e cultura anticrítica. Se alguém achou meu livro sobre o lulismo muito ácido, melhor nem se aproximar deste. O
psicanalista Ab'Saber é mais que contundente a respeito da Era Lula. Vou comentar o livro, em outra nota, com mais calma, mas adianto algumas observações do autor. As teses centrais são:
1) O lulismo se propõe a articular os extremos políticos constituindo "um corpo";
2) Seus componentes são o pragmatismo e liberalismo econômico e político, este último associando o patrimonialismo brasileiro tradicional, fisiológico;
3) Já a incorporação de lideranças sindicais às estruturas de mercado (via fundos de pensão, tema de Chico de Oliveira) teria debelado a radical tensão classista e contestatória da fase inicial do PT. Uma circulação de elites paretiana, segundo o autor. O italiano Vilfredo Pareto, que faleceu em 1923, desenvolveu o conceito de elite como qualquer grupo que se destaque em atividade específica que se renovam (daí a noção de circulação que, quando se torna lenta, degenera a elite) ;
4) Lula é o suporte desta política, que sustenta uma velha oligarquia política nacional. Tales sugere que tal característica fez de Lula um "quase cínico, quase irresponsável e bastante astucioso, laissez-faire" (p. 13.);
5) Assim, o autor sugere que o PT teria decretado "o fim incondicional da perspectiva de luta de classes (...)  e sua adesão como partido no poder à tradição política imoral e particularista brasileiras, foi o  primeiro e muito imporante movimento político realizado pelo governo Lula, em sua ativa busca de consenso em todo espectro da vida brasileira" (p. 14).

E ainda recebo algumas mensagens dizendo que pego pesado!!!

Um comentário:

SENÔ JÚNIOR disse...

Rudá eu li o seu livro sobre o Lulismo e o tema não foi a desconstrução do Lulismo.Mas percebi no final de seu livro que o Lulismo parecia uma borboleta centopéia com cabeça de elefante, tais foram as mutações que ocorreram após algumas décadas.Aprecio o seu estilo literário. O Tales pelo pouco que vi aqui tem um outro perfil e assim como voce, fez uma análise crítica profunda do Lulismo que em verdade, não deixa de ser tudo o que o disse e muito menos tudo o que voce disse.Ambos conseguiram expor as contradições petistas com propriedade e mais existe grande possibilidade da sociedade brasileira dar uma guinada à direita nas próximas eleições abandonando as "cartilhas de esquerda",não é à toa que o PT andou desfilando sorrisos para o PSD de Kassab.