terça-feira, 1 de maio de 2012

Neocorporativismo

Para entender os motivos para a mudança de comportamento político e sindical no I de Maio brasileiro, retomemos o conceito, muito discutido nos anos 1990, de neocorporativismo. Foi Philippe Schimtter que tornou o conceito uma referência na análise do movimento sindical contemporâneo. Se expressa como um salto das centrais sindicais ao campo das negociações das políticas públicas. No caso Europeu, foi mais longe, definindo o Ministro do Trabalho, parte de sua equipe de trabalho e prioridades da gestão pública. 
Há autores brasileiros que perceberam o início desta mudança quando da criação das câmaras setoriais no Brasil, sendo a mais importante a do setor automobilístico, iniciadas no governo Collor, retomadas no governo Itamar e FHC. No caso, este esboço inicial poderia ser denominado de mesocorporativismo, tendo em vista a formação de uma arena de negociação tripartite no âmbito dos interesses de uma categoria profissional específica. 
Ora, esta nova dimensão política do sindicalismo engendra uma forte mudança na lógica de legitimação dos dirigentes sindicais. Da lógica do mobilismo, pressão de rua e greves para abertura de negociação com patronato, para a lógica da capacidade técnica, mais elitizada, que diminui a importância da mobilização e pode da base sindical. O mobilismo exige politização da base sindical e um clima emocional de enfrentamento com forte sentimento de injustiça. Já as negociações em altas esferas da gestão pública exigem capacidade dos dirigentes sindicais, que cruzam ou mesclam a direção sindical com influência político-partidária. Um exemplo contemporâneo desta nova lógica é o papel de Paulinho da Força (PDT) e Luiz Marinho (PT). Lula, novamente, é o aríete desta transformação.

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