quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Kassab, o amigo da onça

Já sei. Mais de 80% dos internautas que acessam este blog nunca ouviram falar no tal amigo da onça. Trata-se de um personagem criado por Péricles Maranhão que começou a ser publicado, como charge, na década de 40 na revista O Cruzeiro. O "amigo" era extremamento irônico e crítico e acabava criando saia justa a todos com quem se relacionava. Pois bem, vejam a nota de Josias de Souza (abaixo). Kassab é ou não um amigo da onça de Serra, PSDB, PT, Lula, Rodrigo Garcia e outros?




Kassab diz que Serra deixará PSDB se for eleito 



Em seus diálogos privados, Gilberto Kassab informa que, se for eleito para a prefeitura de São Paulo, o tucano José Serra vai romper com o PSDB e abandonar os quadros da legenda.
Na versão difundida por Kassab nos subterrâneos, Serra pretende articular a formação de um novo partido. A base dessa legenda seria o PSD. Ao partido presidido por Kassab seriam incorporadas outras agremiações.
Nesses diálogos travados a portas fechadas, Kassab repete algo que disse sob holofotes. Segundo ele, Serra não cogita disputar a Presidência da República em 2014. Planeja dedicar-se à prefeitura.
oOo
Em conversa com o blog, um dos ouvidos que escutaram Kassab juntou as duas pontas da argumentação e concluiu: não faz nexo. Indaga-se: por que Serra iria à nova legenda se não pretendesse ressuscitar o projeto presidencial que o PSDB lhe sonega?
A interlocutores petistas, Kassab adiciona outro dado. Afirma que, em São Paulo, sua aliança é com Serra, não com o PSDB. Diz não ter compromisso, por exemplo, com a reeleição do governador tucano Geraldo Alckmin.
Reitera que, no plano federal, nada muda. O seu PSD continuará atuando no Congresso como força auxiliar do governo Dilma Rousseff. Lamenta que tenha desandado a negociação que o levaria a apoiar Fernando Haddad na capital paulista.
Kassab atribui ao próprio PT o malogro da articulação. Recorda que, antes do Carnaval, aconselhara ao petismo que apressasse o fechamento do acordo. Rememora detalhes das conversas que manteve com Lula e Dilma Rousseff.
Dissera a ambos que, se Serra entrasse no jogo, não teria como se esquivar de apoiá-lo. Achava que, selado o acordo do PSD com o PT em torno da candidatura de Haddad, o amigo tucano não seria candidato hoje. A demora do petismo, diz ele, trouxe Serra à disputa.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Por Haddad, PT quer sacrificar candidatura própria em BH


E tinha gente que ainda duvidava....


Por Haddad, PT quer sacrificar candidatura própria em BH

O prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (Foto: Folhapress)
Por Catia Seabra, de Brasília
Seguindo orientação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o comando nacional do PT vai investir na aliança com o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, do PSB. A ideia é condicionar o apoio a Lacerda à adesão do PSB à candidatura do ex-ministro Fernando Haddad em São Paulo.
A proposta foi discutida na reunião do PT nesta segunda-feira (27) em São Paulo. Para garantir o apoio do PSB a Haddad, a cúpula do PT vai debelar o movimento petista em favor da candidatura própria em Belo Horizonte.
Hoje, o presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, telefonou para integrantes do partido convocando uma reunião na quarta-feira, quando deverá anunciar apoio do partido a Haddad.
Na reunião, o PT também avaliou a hipótese de lançar o senador Humberto Costa à Prefeitura de Recife.

De cada 4 deputados mineiros, 1 responde a processo

Do jornal Metro BH (matéria assinada pelo meu filho, Thiago):


Minha entrevista à TV ALMG




Veja AQUI

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Senado marca data para votar reforma política



Propostas que tratam do financiamento público de campanha, da exigência de referendo para alteração no sistema eleitoral do país e de mudança na data de posse de presidente da República, governadores e prefeitos devem ser votadas no dia 21 de março em Plenário. Também pode ser incluída nesta lista proposição que altera regras para coligações partidárias, caso a matéria não receba emendas durante as sessões de discussão.

Ao optar por concentrar a votação das matérias da reforma política em uma sessão exclusiva para esse propósito, o presidente do Senado, José Sarney, seguiu sugestão dos líderes, de dar prioridade ao exame das proposições já prontas para votação em Plenário.
O projeto (PLS 268/2011) que estabelece o financiamento público exclusivo das campanhas eleitorais foi aprovado no ano passadoterminativamente pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), em votação apertada. A matéria poderia ter ido direto à Câmara, mas recebeu recurso para ser votada pelo Plenário do Senado.
Outra matéria pronta para votação, em primeiro turno, é a PEC 38/2011, que muda a data da posse de presidente da República para o dia 15 de janeiro e a de governadores e prefeitos para 10 de janeiro. A proposta recebeu emenda no Plenário, já aprovada na CCJ, para determinar que os mandatos dos deputados estaduais e distritais eleitos em 2014 sejam encerrados em 31 de janeiro de 2019. Essa emenda visa unificar a data de posse dos deputados estaduais e distritais em todo o país.
Os senadores também devem decidir, em primeiro turno, sobre a PEC 42/2011, que determina que qualquer alteração no sistema eleitoral dependerá de aprovação em referendo popular. PECs precisam passar por dois turnos de discussão e votação.
Coligações
A proposta (PEC 40/2011) que permite coligações eleitorais apenas nas eleições majoritárias (para presidente da República, governador e prefeito) também pode ser incluída na pauta do Plenário do dia 21 de março para votação em primeiro turno, mas antes precisa passar por cinco sessões de discussão, já programadas para os dias 13, 14, 15, 20 e 21. A votação dessa PEC poderá ser adiada caso a matéria receba emendas de Plenário, que precisarão ser analisadas pela CCJ.
Suplência e fidelidade partidária
Outras duas matérias que integram o conjunto de propostas da reforma política receberam emendas de Plenário e agora aguardam posição da Comissão de Constituição e Justiça: a PEC 37/2011, que muda as regras para suplência de senador, e o PLS 266/2011, que trata da fidelidade partidária.
A PEC 37/2011 reduz de dois para um o número de suplentes de senador e proíbe que o suplente seja cônjuge ou parente do candidato ao Senado. Também estabelece que sejam convocadas novas eleições no caso de vacância permanente do cargo. A emenda de Plenário, apresentada por Romero Jucá (PMDB-RR), prevê que, em caso de vacância decorrente de homicídio do titular, o suplente será convocado, para assegurar que um aliado político assumirá o mandato. O senador Luiz Henrique (PMDB-SC) foi designado para emitir relatório sobre a emenda.
Quanto à fidelidade partidária, a CCJ já havia aprovado projeto prevendo que não ocorrerá perda de mandato quando a desfiliação partidária ocorrer por justa causa, ou seja, por incorporação ou fusão de legenda, desvio de programa partidário e grave discriminação pessoal.
A comissão excluiu a criação de novo partido como justa causa para desfiliação partidária, mas essa possibilidade foi reapresentada em emenda de Plenário, que agora está em exame na CCJ. Demóstenes Torres (DEM-GO) foi designado relator da emenda.
Lista fechada
Um dos temas mais polêmicos da reforma também voltou para exame da Comissão de Justiça: a proposta (PEC 43/2011) que institui o sistema eleitoral proporcional de listas fechadas nas eleições para a Câmara dos Deputados. A matéria, que tramita em conjunto com a PEC 23/2011, foi rejeitada na CCJ, mas recebeu recurso para votação em Plenário. As propostas voltaram à comissão, por conta de requerimento pedindo para que tramitem em separado.
Matérias aprovadas
Do conjunto de 11 proposições apresentadas pela Comissão da Reforma Política ao presidente do Senado, José Sarney, duas já foram aprovadas: o PLS 265/2011, que veda a transferência de domicílio eleitoral de prefeitos e vice-prefeitos durante o exercício do mandato, e o PLS 267/2011, que trata da cláusula de desempenho partidário nas eleições. Ambas passaram pela CCJ em terminativamente e foram enviadas à Câmara dos Deputados.
Matérias rejeitadas
Os senadores rejeitaram duas propostas apresentadas pela Comissão de Reforma Política: a PEC 39/2011, que acaba com a possibilidade de reeleição para presidente, governador e prefeito, e a PEC 41/2011, que acaba com a exigência de filiação partidária para candidatos em eleições municipais. As matérias foram enviadas ao arquivo.
Iara Guimarães Altafin / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

O que quer Patrus Ananias?

Parecia que estava desistindo. Assume uma tal assessoria técnica na Assembléia Legislativa. Alguns acreditaram que era o mesmo que o retorno de Olívio Dutra ao trabalho no banco. Mas não era. Ser assessor de deputado é diferente de voltar ao seu antigo trabalho. Mesmo porque, depois se lançou como candidato ao Supremo Tribunal Federal e foi quase humilhado publicamente. Algo que parecia uma travessia pessoal, errática, mas intimista. Não era nada que se aproximasse de uma ação articulada, refletida, coletiva. Seus seguidores e apoiadores sentiram o golpe.
Porque atrás do véu respeitabilidade, humildade e desprendimento, ficava a impressão do gosto pelos holofotes em seu rosto. Algo que parecia estranho.
De repente, ressurge neste final de semana falando grosso. E desanca a aliança PT-PSDB (que paga pedágio ao PSB). Apóia a reeleição de Marcio Lacerda, mas sem tucanos, informal ou formalmente.
Estranho. Porque no seu partido a postura é candidatura própria ou aliança para a reeleição.
É verdade que os tucanos mineiros foram infelizes ao impor condicionantes à aliança. Muita sede ao pote. Mas Patrus não foi muito menos guloso. Trouxe para si o poder de ditar o jogo, quando esteve o tempo todo ausente. Lula tem este privilégio. FHC também. Mas, afinal, o que quer Patrus?

Oscar e a crise

Robyn Beck/AFP PhotoNão assisti O Artista. Mas, sinceramente, para quem já teve oportunidade de ver Jean Dujardin (na foto) em cena, fica a impressão de ser um ator de um personagem só. Caras e bocas que não se alteram. Não é ruim, mas se repete. Um personagem de si mesmo.
Mas foi o grande vencedor de ontem: melhor filme e mais quatro estatuetas.
Empatou com A Invenção de Hugo Cabret, de Scorsese, que também não assisti ainda. Quem assistiu diz que este filme é uma homenagem ao cinema. Mas os prêmios de Hugo Cabret foram mais técnicos: efeitos visuais, fotografia, direção de arte, mixagem e edição de som.
Como muitos críticos afirmam, a tal Academia é muito conservadora e não aposta em discursos inovadores. Aliás, a marca é a censura na entrega do Oscar. Talvez este tenha sido o motivo para Wood Allen não aparecer para receber seu prêmio. Na verdade, ele não é afeto a prêmios.
Meryl Streep, na minha opinião, foi a decisão mais correta.
Ontem eu assisti Millenniu- Os Homens que não amavam as mulheres. Recebeu o prêmio de edição (que já haviam recebido o Oscar no ano passado, por A Rede Social). O filme é um thriller dos melhores, com um forte tom feminista (lá vai o discurso inovador que a Academia não gosta). Daqueles filmes que o enredo leva o espectador, não dando chance para ficarmos ad-mirando o que se passa na tela. Mas não apenas pelo ritmo, mas pelo enredo.Christopher Plummer está neste filme, mas recebeu seu Oscar como ator coadjuvante por Toda Forma de Amor (seu primeiro Oscar, aos 82 anos).
Fomos mais uma vez derrotados. Agora, pelos Muppets, o que nos deixa mais derrotados.
Finalmente, Os Descendentes, filme melancólico com George Clooney, ganhou na cateogria melhor roteiro adaptado. É interessante como os grandes atores norte-americanos começam a convergir para roteiros reflexivos e melancólicos. Um sinal dos tempos, abandonando aos poucos o estilo "todos morrem" ou "muita adrenalina por nada".
A crise foi citada uma vez, pelo apresentador Billy Crystal. Mas parecia que rondava o tempo todo. Ao menos na cabeça dos que definem os prêmios.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Documentário mexicano escancara sistema educacional falido



“Sabe o que acontece nas escolas?” Este é o slogan do mais do novo documentário mexicano, De Panzazo! Um olhar agudamente crítico sobre o sistema educacional do país. De Panzazo!, é uma expressão idiomática local, algo como “apenas ruim”. A coisa vai mal…
Usando uma combinação de entrevistas com funcionários de educação, pais e alunos, o cineasta Juan Carlos Rulfo e jornalista Carlos Loret de Mola levam os espectadores para as salas de governo, nas salas de aula de escolas públicas degradadas e escolas particulares conceituadas, e conclui: todo sistema educacional mexicano está quebrado.
Apenas 60% dos mexicanos concluem o secundário, ou médio, da escola. Oito dos 10 alunos que atingem a escola secundária não sabem multiplicar. A perfomance das escolas privadas é quase tão ruim quanto a das escolas públicas de todo um leque de avaliações.
O documentário revela que, no quesito educação, o México ocupa a 30ª posição entre os 30 países da OCDE – Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico. Esta lamentavel posição do país é resultado das avaliações de disciplinas como leitura e matemática, que compõem o currículo do ensino secundário, ainda que aquele país dedique o maior percentual (mais de 20% da despesa pública total são destinados à educação. Enquanto isso, estudantes mexicanos gastam uma média de 4,5 horas na escola por dia, comparado com seis horas nos EUA e oito horas na Coréia.
Esta notícia pode vir como um choque para muitos pais mexicanos. Em uma pesquisa nacional de 2007 de pais, 77% dos entrevistados relataram que a qualidade dos serviços educacionais prestados pela escola de seus filhos era bom ou muito bom, mesmo que uma avaliação referência da OCDE sobre o ensino fundamental tivesse destacado que cerca de metade dos mexicanos na faixa dos 15 anos de idade matriculados na escola encontravam-se no nível mais baixo de proficiência estabelecida pelo teste.
O documentário pergunta o que está errado com o sistema: Os alunos? O governo? Os sindicatos? Os professores? Ele responde: “É um problema gigantesco. É todo um sistema que está falhando. “
O filme é especialmente crítico ao poderoso sindicato de professores do México e da mulher que passou a dirigir o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Educação desde 1989, Elba Esther Gordillo.
No México, os professores não enfrentam avaliações ou medições de competência. Loret de Mola confronta Gordillo neste ponto que, em uma entrevista, responde que ela também quer avaliar os professores. Loret aperta as mãos de Gordillo, mas pergunta: “Você está apertando a minha mão, mas por que eu acho que há um truque?” Ela diz: “Porque você não confia em mim.” A união fez publicamente oposição a tais exames.
Possivelmente para combater a má publicidade, o sindicato dos professores começou recentemente a publicar anúncios em cinemas que mostram salas de aula negligenciadas em estados terríveis de abandono. A narração diz: “Em escolas como estas surgiram engenheiros, médicos, advogados, cientistas, historiadores. É por isso que temos certeza de que ser professor no México é um motivo de orgulho. “
Professores mexicanos podem ganhar uma vaga no sistema de ensino público, graduando-se com uma licenciatura em educação, mas muitos outros podem ser nomeados pelo sindicato, “herdar” a posição de um membro da família ou de um amigo que é professor após sua saída, ou até mesmo comprar uma “plaza”, um cargo no setor de ensino.
O documentário ressalta que a Secretaria de Educação nunca informou – e não talvez não se possa mesmo saber – quantos professores estão nas folhas de pagamento do governo mexicano.

Escola de Cidadania da Zona Leste de SP


Mais uma experiência de educação para a cidadania com autonomia política. Trata-se da região mais politizada e organizada de São Paulo, a zona leste (onde muitos afirmam que nasceu efetivamente o SUS). No ano passado, esta escola chegou a ter 297 lideranças matriculadas (os cursos são gratuitos) e certificaram 96, com a presença a então Ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora  Menicucci. Os cursistas que tiverem 75% de frequência e entregarem um TCC recebem certificação pela Unifesp.

Patrus chega tarde.... mas chega

A reação tardia, mas forte, de Patrus Ananias pode ser o último suspiro para a manutenção de um espaço mínimo de controle do PT mineiro. Ao menos, à altura de sua biografia. Patrus cometeu, nos últimos aos, vários erros políticos primários e ressurgiu batendo forte (veja matéria do jornal Hoje em Dia, abaixo).
Nos bastidores, afirma-se que Lula está até hoje muito contrariado com a falta de leitura política e agressividade do ex-prefeito e ex-ministro mineiro. Ao retornar à Minas Gerais, errou novamente ao se tornar assessor da Assembléia Legislativa. Errou mais uma vez ao explicitar sua candidatura ao Supremo Tribunal Federal. Erros infantis, de inexperientes, que deixaram órfãos e irritados vários de seus seguidores que me disseram pessoalmente o quanto se sentiam ridicularizados.
Por estas e por outras, minha leitura da reação tardia de Patrus é de um ato simbólico, mais que prático. Mas militância se move por símbolos e emoção, nunca pela razão. Portanto.... aguardemos.



Patrus é contra PSDB na dobradinha para reeleição de Lacerda

Ex-ministro exige vice do PT na chapa socialista e diz que não vai dividir palanque com o senador tucano Aécio Neves


CRISTIANO COUTO
patrus ananias
Patrus: 'Não estarei ao lado dele (Aécio). Estarei ao lado de Pimentel e Lacerda'


Um dia depois de o PSDB entregar uma lista com exigências em troca do apoio à reeleição ao prefeito Marcio Lacerda (PSB), o ex-ministro de Desenvolvimento Social e Combate à Fome Patrus Ananias (PT) declarou pela primeira vez que vai trabalhar contra a inclusão dos tucanos na chapa do socialista, seja na formalidade ou mesmo na informalidade. O ex-ministro foi a principal estrela do encontro da corrente petista “Articulação”, realizado neste sábado (25) em Belo Horizonte.

“Não queremos o PSDB na aliança. Queremos aliança entre o PT e PSB, que são aliados no plano nacional. Nós não queremos e vamos trabalhar contra. Com o PSDB nós temos divergências históricas, profundas, diferenças de projetos de sociedade”, afirmou Patrus.

Político de perfil apaziguador, Patrus abandonou o discurso comedido e fez duras críticas ao senador Aécio Neves e ao governador Antonio Anastasia, ambos do PSDB. Ao lado do então prefeito Fernando Pimentel (PT), Aécio ajudou eleger Lacerda na campanha de 2008. Segundo o ex-ministro, o tucano mineiro, que é pré-candidato à presidência, não gosta de pobres.

“Nós temos diferenças profundas em relação ao ex-governador de Minas Gerais e atual senador Aécio Neves. Eu nunca o vi subindo as periferias, nunca o vi conversando com os pobres, eu nunca o vi privilegiando as políticas públicas sociais”, disparou.

De acordo com Patrus, a principal diferença entre os partidos tem relação com a história de vida dos seus líderes. “Você vê a trajetória por exemplo do ex-governador e do atual governador do Estado. Onde eles estiveram nos tempos mais difíceis da ditadura?”, desafiou.

O ex-ministro declarou ainda que não vai dividir palanque com Aécio. “Não estarei ao lado dele. Estarei ao lado do ex-prefeito Fernando Pimentel e do prefeito Marcio Lacerda”, adiantou.

Patrus disse também que o PT não abre mão de indicar o candidato a vice, mas evitou especular em relação a nomes. “Penso que é uma discussão que o partido tem que fazer. O que considero fundamental é que seja um vice do PT, um vice representativo das melhores tradições e compromissos do partido”, argumentou.

As declarações de Patrus vão colocar Lacerda, que é aliado de primeira hora do PSDB mineiro, em uma sinuca de bico. Na sexta-feira (24), os tucanos reivindicaram publicamente uma participação formal na chapa e ainda a vice.

Pestana dá o troco

O presidente estadual do PSDB, deputado federal Marcus Pestana, deu o troco ao posicionamento do ex-ministro Patrus Ananias (PT). Para ele, Patrus tem se equivocado em seus posicionamentos políticos.

“Em 2006, ele estava ao lado do ex-governador Newton Cardoso. Em 2008, trabalhou contra o Marcio Lacerda. Em 2010, fez uma aliança com o Hélio Costa, um dos políticos mais conservadores de Minas”, alfinetou.

“Essas diferenças programáticas que ele coloca – com todo respeito ao Patrus, que é um homem ético e de bem –, é retórica para demarcar terreno”, argumentou. Pestana afirmou ainda, que tem esperança de que o ex-ministro possa mudar de ideia para o bem da população da capital. 

sábado, 25 de fevereiro de 2012

O Fator Serra (ou... a vida de um político autista)



 José Serra (PSDB) em foto de Eliária Andrade/ O Globo
Serra é candidato à Prefeitura de São Paulo. Mas impõe, como sempre, condições duras. 
As mais importantes são a) o arco de alianças e b) controle absoluto sobre a campanha eleitoral, situação que aborreceu muitos tucanos durante as eleições presidenciais passadas. Mas Serra continua com o estilo janista de aparecer a qualquer custo, mesmo que alimentando ódio e desconfiança entre seus próprios pares. É um político autista, uma evidente contradição que não abala seu roteiro. Outro problema que cria saia justa entre tucanos (ainda que menor) é a desmoralização das prévias anunciadas pelo partido. Já se estuda até mesmo uma saída jurídica para este imbroglio, já que o prazo de inscrição para a participação nas prévias que ocorrerão dia 4 de março já se esgotou. Uma possibilidade é a participação de Serra e desistência dos outros (o que dificilmente ocorrerá nos casos de José Aníbal e Ricardo Trípoli). Outra saída seria o adiamento da disputa por duas semanas. Mas, para um autista, trata-se de uma mera formalidade. 
Serra candidato, quais seriam as possibilidades futuras?
Segundo as pesquisas divulgadas no final do ano passado, Serra possui o maior índice de intenção de votos (18%) mas a maior rejeição (35%). Tem, ainda, o peso da popularidade de Lula (segundo o IBOPE, metade do eleitorado paulistano votará em quem Lula indicar) como obstáculo. Assim, é plausível cogitar como válidas as hipóteses de vitória e derrota em outubro.
No caso de vitória de Serra em outubro, o que ocorreria no PSDB?
Hipótese 01: disputa as eleições presidenciais de 2014. Seria a cartada final, a mais arriscada da carreira de Serra que, possivelmente, criaria uma guerra entre tucanos. Frágil em seu próprio partido, caminhando ainda mais confiante para o discurso conservador, facilitaria a vida do lulismo. Não acredito, entretanto, que a saída da prefeitura para disputar as eleições presidenciais arranharia a imagem de Serra junto ao eleitorado paulistano. Os seus eleitores sabem desta possibilidade e o apóiam por ser anti-lulista.
Hipótese 02: não sai em 2014. Carreira eleitoral encerrada, mas peso político valorizado. A prefeitura com maior orçamento do país nas suas mãos. Vai impor grande pressão e desgaste ao candidato Aécio Neves. Obviamente controlará a campanha no centro-sul, justamente onde tucanos possuem mais votos. Se Aécio ganha, terá Serra como sombra permanente, até mesmo para definir ministério. Alckmin terá que engolir.
Para o lulismo, este é o cenário de festa. Serra criaria uma divisão interna entre tucanos e promoveria a fusão com DEM e, possivelmente, com PPS. Algo que já tateou algumas vezes. 
E, em caso de derrota de Serra?
Hipótese 01: Serra teria encerrado sua carreira política, saindo pelas portas dos fundos. Tentará ter alguma influência, mas obviamente não terá nem de longe o cacife de FHC, para citar um ex-aliado tucano. Terá Alckmin comandando, com Aécio Neves, as eleições presidenciais. 
Hipótese 02: Serra se filia ao PPS. E tenta atrair o PV. Mesmo assim, será líder nanico de partidos sem expressão real. O PSDB lamentará em público e festejará em encontros privados. Tucanos alimentarão a grande imprensa com vários casos relativos ao estilo Serra de fazer política. 
Para o lulismo, este é um cenário promissor, mas teria que aguardar a recomposição do PSDB que poderia sair desta "derrota" mais renovado para os olhos do eleitor. Contudo, tal renovação poderia jogar o discurso do PSDB mais próximo do lulismo, já que o serrismo vem se aproximando rapidamente da lógica conservadora para consolidar um eleitorado cativo. 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Tucanos entregam ao PSB exigências para apoiar reeleição de Lacerda


Tucanos entregam ao PSB exigências para apoiar reeleição de LacerdaOs líderes do PSDB querem maior atuação da legenda na aliança e defendem a participação de Aécio e Anastasia na campanha


Na coletiva estiveram presentes o presidente municipal do PSDB, João Leite, o presidente estadual da legenda, Marcos Pestana e o vereador Pablito (Marcos Michelin/EM/D.A Press)
Na coletiva estiveram presentes o presidente municipal do PSDB, João Leite, o presidente estadual da legenda, Marcos Pestana e o vereador Pablito


O PSDB deu mais um passo na consolidação da aliança com o PSB para a reeleição do prefeito Marcio Lacerda (PSB). Em encontro realizado no final da manhã desta sexta-feira, no apartamento de Lacerda, os tucanos entregaram uma lista com oito diretrizes para balizar a relação das legendas na coligação. Entre os pontos mais relevantes está a exigência de uma aliança “formal, clara e transparante” e participação das principais lideranças do partido no estado: o senador Aécio Neves e o governador Antônio Anastasia. Estiverem presentes ao encontro o presidente estadual do PSDB, Marcos Pestana; o presidente municipal, deputado João Leite; o presidente estadual do PSB, o ex-ministro Walfrido Mares Guia; o secretário-geral do PSB, Mário Assad e o prefeito Marcio Lacerda. 

Em entrevista coletiva na sede estadual do partido, Pestana afirmou que o PSDB quer mais participação. Segundo ele, a legenda não está ocupando o lugar que merece por sua força e que não pretende mais ser coadjuvante. “O PSDB quer mais participação. Atualmente está desproporcional à força do partido que é o maior de Minas. O PSDB quer ser o ator central nesse processo”, ressaltou. Ainda segundo ele, a participação nas eleições deste ano tem que ter “novo patamar”, se referindo a uma participação mais ativa da legenda. 

Ressaltando sempre a necessidade de transparência, o presidente estadual do PSDB pregou a aparição dos líderes do PSDB, Aécio Neves e Antônio Anastasia, juntos com os petistas Patrus Ananias e Fernando Pimentel nas peças da campanha. 

O encontro estava inicialmente agendado para ocorrer na casa do presidente estadual do PSB, Walfrido Mares Guia. Mas, nessa quinta-feira o líder dos socialistas cancelou o evento, alegando que havia cogitado a reunião, mas teria que viajar. Apesar da informação, o líder partidário participou da reunião de hoje. Lacerda também se esquivou dizendo que estava viajando e que não sabia da agenda. 


Conheça as diretrizes apresentadas pelos tucanos aos socialistas no encontro de hoje. 

-Coligação formal, clara e transparente.
-Participação na coordenação geral da campanha
-Participação em todos os subgrupos temáticos de planejamento de governo.
-Participação proporcional ao peso político do PSDB no segundo mandato, em caso de vitória.
-Valorização chapa de vereadores do PSDB
-Vice-prefeito que encarne o espírito da aliança e não de projetos futuros de poder.
-Foco nas eleições de 2012, nos interesses da cidade e da população. Sem que sejam colocados em jogo eleições de 2014 e 2016. 
-Intenção da participação dos nossos líderes: Aécio e Anastasia, nas campanhas de rádio, TV e demais peças - Tornar claro conteúdo da aliança.

Delúbio não aprende

Tem gente que não aprende com os erros. Entrei, sem ter sido consultado, num mailling do tal Delúbio Soares e tenho que aturar receber os artiguinhos deste personagem de triste lembrança. Vou ter que tomar o tempo de meus advogados e enquadrar esta prática de spam no seu devido lugar jurídico. Já avisei várias vezes que não quero receber esta mensagem spam.
Se alguém desejar pegar carona, basta me avisar.
Aliás, os artigos nem conseguem dar luz ao já batido na grande imprensa.
Abaixo, o email do tal rapaz:

Artigo Delúbio Soares - "A Nova Classe Média”
De:  Delúbio Soares delubio@uol.com.br

André Quintão candidato a vice-prefeito?

Coincidência. Mas vai se formando uma "dinastia do sobrenome Quintão" pelas terras de Belo Horizonte. Além de Leonardo Quintão (PMDB), já se anuncia o possível acordo entre o grupo de Fernando Pimentel e o de Patrus Ananias para indicar, como candidato a vice-prefeito na chapa de Marcio Lacerda (PSB, atual prefeito de BH), o deputado estadual petista André Quintão. Desde o ano passado esta possibilidade já era ventilada. André Quintão, contudo, é mais que cauteloso. Seu nome foi muitas vezes sondado para prefeito da capital mineira, candidatura nunca efetivada. Três dias atrás, em matéria do Estado de Minas, Quintão desconversou. Disse:


“A prioridade do PT neste momento é decidir se vai apoiar ou não o Marcio Lacerda, definir qual será a tática eleitoral. Qualquer discussão sobre vice é prematura”.

De qualquer maneira, o deputado Miguel Corrêa Jr., até o ano passado o mais cotado para assumir a vaga de candidato a vice-prefeito na chapa de reeleição de Lacerda (pela cota do ministro Fernando Pimentel), já admite que cederá seu lugar para Quintão. Oficialmente, somente depois de 18 de março este imbroglio petista começará a se desfazer, quando serão eleitos os delegados para o encontro que definirá os rumos eleitorais do PT.